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11/02/2024 às 16:20

UM NOVO SÍMBOLO BRASILEIRO?

De café no Japão a música na Rússia: como capivaras viraram fenômeno no mundo

BBC News Brasil

De café no Japão a música na Rússia: como capivaras viraram fenômeno no mundo

Foto: Edwin Butter/Getty Images

O rapper americano Lil Nas X estava preso no trânsito de São Paulo, antes de um show na cidade em 2023, quando sacou o celular e tirou a foto.
 
"Por que o Brasil tem esses hamsters gigantes do lado de fora? Estou gritando", publicou em inglês para milhões de seguidores, muitos já apaixonados ou fascinados pelos bichos. Eram capivaras.
 
Na Rússia, um jovem desenvolvedor de jogos com insônia abriu o computador e resolveu compor uma música em homenagem a um simpático personagem do seu game: também era uma capivara.
 
A música Capybara virou trend global no TikTok — quando passou a ser reproduzida desenfreadamente acompanhada de memes e dancinhas.
 
No Japão, cafés de Tóquio fazem sucesso com o tema capivara, permitindo que clientes façam carinho no animal enquanto tomam seus cappuccinos de caramelo.
No Brasil, elas estampam camisas, dão forma a pastéis e são tema de quartos de bebês.
 
Esses exemplos recentes ilustram o novo patamar que estes animais conquistaram enquanto fenômeno nas redes sociais.
Nativas da América do Sul, com exceção do Chile, as capivaras são os maiores roedores do mundo.
 
O temperamento "calmo", o olhar cativante e a adaptação a ambientes urbanos, próximo a humanos, criam uma relação afetiva cada vez mais íntima, explicam pessoas que trabalham diretamente com elas.
 
"Imagina um ratão enorme, com mais de 30 quilos e um olhar muito engraçado. Elas têm essa expressão blasé, como se não estivessem nem aí para você. Parte dessa conexão com humanos acho que vem desse olhar meio irônico, despreocupado, de boa", explica o biólogo José Sabino, professor na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS).
 
Isso ocorre mesmo que os animais possam ser considerados um "problema" em algumas regiões, devido à destruição de plantações ou por casos de doenças como a febre maculosa (leia mais abaixo).
 
"A gente posta uma coisa de cachorro, de gato, de aves, mas é quando a gente posta capivara que o engajamento das redes vai lá pra cima", comenta Mariana Aidar, criadora do projeto Capa, uma ONG que atua com os animais que vivem nas margens do rio Pinheiros, em São Paulo. Na região, vivem 120 capivaras.
 
"Elas conquistam todo mundo com o carisma e simpatia."
 
Um novo símbolo brasileiro?
Se no passado as capivaras eram vistas apenas como mais um animal da fauna do Brasil e de outros países da América do Sul, com as redes elas conquistaram fãs.
 
"Claramente, elas são vistas de outras formas. No passado, eram tidas como animais vetores de doenças. Mas hoje há uma relação muito mais afetiva", opina o biólogo José Sabino, professor da UEMS e produtor audiovisual de conteúdo sobre natureza.
 
A doença a que ele se refere é principalmente a febre maculosa. As capivaras em si não transmitem a doença, mas são hospedeiras do carrapato estrela. Ao picar a capivara e, depois, picar o humano, a doença é transmitida.
 
Em 2023, um surto da doença chamou a atenção em Campinas (SP), onde cinco pessoas morreram.
 
Segundo dados do Ministério da Saúde , entre 2012 e 2022, foram notificados 2.209 casos e 753 mortes no Brasil. A prefeitura de Campinas chegou a anunciar que iria esterilizar os animais - o mesmo feito em cidades como Belo Horizonte.
 
Mas se o contato próximo com as capivaras pode levar a alguns problemas como esses, ele também é o responsável pelo olhar mais carinhoso da população sobre os bichos, diz Sabino.
 
Na própria cidade de Belo Horizonte, é fácil encontrar souvenirs com estampas de capivaras.
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