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24/04/2024 às 09:22

SÉRIE DE SUCESSO

Criador de Bebê Rena fala de inspirações e medo da repercussão

Roteirista e protagonista de Bebê Rena, Richard Gadd conta experiências pessoais na trama mais vista entre as séries da Netflix no Brasil

Metrópoles

Criador de Bebê Rena fala de inspirações e medo da repercussão

Foto: Reprodução Netflix

“Às vezes, no poço do desespero, surge a inspiração.” A frase é do roteirista e ator Richard Gadd, um rosto conhecido no Brasil e no mundo como o protagonista de Bebê Rena, nova série da Netflix. A trama acompanha a história do personagem Donny Dunn, um aspirante a comediante que trabalha como garçom em um bar de Londres e começa a ser perseguido por uma stalker.

A mulher em questão é Martha Scott (Jessica Gunning), uma advogada desempregada e com outras perseguições na lista de antecedentes. Embora esse seja um nome fictício, a produção é totalmente inspirada na história de vida de Gallard.

Ele revelou que foi perseguido por uma mulher por quatro anos até que ela conseguiu o telefone dele. Na época, o comediante estava no que considerou “o auge da carreira” e tinha ganhado o Prêmio de Comédia do Festival Fringe de Edimburgo, na Escócia, pelo programa Monkey See Monkey Do (Macaco Vê, Macaco Faz, em tradução literal), no qual relatava abusos que sofreu.

“Foi um grande momento para mim. Esclarecer o que aconteceu depois de tantos anos sofrendo em silêncio. Mas qualquer sentimento bom depois do Fringe foi atenuado pelo meu telefone tocando a cada minuto de cada dia, onde me deparei com toda uma gama de emoções de Martha, desde insultos lançados até expressões profundas de amor e saudade. Era demais para qualquer um suportar”, detalhou em texto divulgado pela Netflix.

Gadd relatou que ouvir e fazer anotações sobre as mensagens de voz deixadas pela stalker passou a ser a vida dele. O objetivo era encontrar algo incriminador o suficiente para que a polícia tomasse providências adequadas.

“No auge de tudo isso, eu ia para a cama à noite e ainda a ouvia em meus ouvidos. Sua voz girando em torno da minha cabeça. Suas palavras saltando pelas minhas pálpebras enquanto eu tentava dormir. Às vezes era como se ela estivesse na sala comigo. Na cama ao meu lado, até”, relembrou.

Transformando pesadelo em audiência

Entre o desespero e a agitação, o ator teve a ideia de transformar esse pesadelo em um espetáculo de stand up. Ele esperou o que chamou de “hora certa” para estrear o texto, também no Festival Fringe, mas em 2019. Agora, no entanto, o medo dele não eram mais as mensagens e ligações da perseguidora.

“Já haviam passado dois anos desde que Martha saiu da minha vida e eu estava enfrentando uma pressão totalmente nova: o tribunal da opinião pública”, contou. Ele explicou ainda o motivo para temer as pessoas.

“Parecia uma coisa arriscada – fazer uma versão com detalhes escabrosos da história, onde eu levantava as mãos para os erros que cometi com Martha. O flerte tolo. As desculpas covardes sobre por que não poderíamos ficar juntos. Sem mencionar os temas do preconceito internalizado e da vergonha sexual que sustentavam tudo. Os detalhes gráficos das drogas, do aliciamento e da violência sexual que experimentei apenas alguns anos antes.”

O roteirista contou que chegou a imaginar piquetes pedindo que ele desistisse e críticas sobre a forma como contava as histórias. Entretanto, sabia que não poderia “fugir da verdade sobre o que havia acontecido” e que aquela era “uma situação confusa e complicada”. Para a surpresa dele, o show esgotou e ele precisou fazer duas sessões por dia para atender à demanda.

Retorno positivo de Bebê Rena

As respostas do público foram melhores do que ele esperava, mas estavam sempre divididas. “As pessoas vinham até mim no final e me diziam coisas como ‘Eu não sabia se te dava um soco ou se te abraçava’ e ‘Eu senti pena de você, depois eu a odiei, depois eu te odiei e senti pena dela’. E para mim esse foi o maior elogio que o show poderia receber”, garantiu Richard Gadd.

Ele avaliou ainda que “tudo o que sempre quis foi captar algo complicado sobre a condição humana” e mostrar “que todos cometemos erros. Que nenhuma pessoa é boa ou má. Que somos todos almas perdidas em busca do amor à nossa maneira estranha”.

Mesmo com as respostas positivas no festival de comédia, ele ainda teve medo da opinião do público que acompanha a série na Netflix, na qual ele começou a trabalhar em abril de 2021. Segundo ele, são “os mesmos dilemas morais”, mas em uma “escala muito maior”.

E ele não está errado quando pensa na quantidade de pessoas atingidas. Top 1 entre as séries mais vistas da Netflix no Brasil, Bebê Rena é também a mais assistida do streaming em outros 69 países, de acordo com o Flix Patrol.
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