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17/05/2020 às 16:16

Sem emprego, Maíra e a filha de 3 anos superam o medo e vão pra rua pedir doação

Maíra é mais uma dentre tantos venezuelanos que estão retornando gradativamente aos semáforos para conseguir sobreviver em meio à pandemia

Luzia Araújo

Sem emprego, Maíra e a filha de 3 anos superam o medo e vão pra rua pedir doação

Foto: Helder Douglas/Leiagora

Com um pedaço de papelão nas mãos escrito: “Preciso de trabalho ou alguma ajuda de você!” a venezuelana Maíra Hernandez, de 32 anos, saí todos os dias do bairro Jardim Florianópolis, em Cuiabá e vai até a rotatória do bairro Santa Rosa, onde passa horas em busca de doações de alimentos ou dinheiro, para manter a casa, enquanto não arruma um emprego na cidade. 

Essa não é uma realidade só dela, mas de muitos venezuelanos que escolheram Cuiabá para viver depois de deixar o país de origem que enfrenta uma crise política e econômica. Como se não bastasse a fome e a falta de dinheiro, os estrangeiros se tornaram um alvo fácil para o novo coronavírus, que com a flexibilização do isolamento social no município, voltaram a ocupar os semáforos da cidade.

Em algumas situações é possível ver grupos pessoas de uma mesma família, inclusive com a presença de crianças, até mesmo de colo, no local. No caso de Maíra, ela vai para o semáforo com a filha de três anos.

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Com máscara, mãe e filha ficam na calçada a espera de uma doação mesmo com medo da nova doença. “Tenho medo do coronavírus, mas como tenho que dar comida para minha filha, pagar aluguel e luz...”, relata Maíra. 

De acordo com a mulher, ela chegou na cidade há pouco mais de 30 dias, mas desde que pisou em Cuiabá não conseguiu emprego pela falta da carteira de trabalho. “Tenho todos os documentos, mas não tenho a carteira de carteira. Eles me falaram que sem ela não consigo emprego e que é obrigatória”, lamentou a venezuelana. 

Segundo a estrangeira, nenhum representante das instituições de acolhimento de imigrantes passou pelo local para ajudá-la a solucionar o seu problema. As únicas orientações que já conseguiu foram com os outros venezuelanos com quem divide a calçada e com os brasileiros que por ali passam.

“Não fui arrumar minha carteira de trabalho, porque não conheço nada aqui. Vim para cá, porque me disseram que eu poderia arrumar trabalho. Lá em Boa Vista está chegando mais e mais venezuelanos. Lá também tinha muito roubo. Saía de casa para trabalhar e me roubavam”, disse. 

Hoje o sonho de Maíra é arrumar um emprego para voltar a morar junto com a outra filha que deixou na Venezuela. “O meu sonho é poder trazer a minha outra filha, porque minha mãe morreu e não pude viajar para meu país para busca-la”. A criança está com o pai.

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A Prefeitura de Cuiabá, por meio da Secretaria de Assistência Social, informou que realiza, permanentemente, abordagens para sensibilização de estrangeiros sobre os riscos da exposição, principalmente das crianças e dos adolescentes, bem como para apresentar a estrutura disponível para acolher os imigrantes. 

Durante dois dias, a abordagem conseguiu sensibilizar quinze famílias que residem na Capital, sendo 42 adultos, 33 crianças e adolescentes e 03 idosos, totalizando 78 pessoas.

Desse montante, dez aceitaram serem conduzidas para as residências para reintegração familiar a fim de identificar os endereços e encaminhar para as unidades dos Centros de Referência de Assistência Social (Cras) para inclusão nos programas sociais. 

Após verificação in loco, foram concedidas treze cestas básicas repassadas pelo Fundo Social da Cidadania e oito máscaras distribuídas.

Vale ressaltar que a Pastoral dos Imigrantes é a unidade referência nesse tipo de atendimento e parceira da Prefeitura de Cuiabá. “É meta do prefeito Emanuel Pinheiro oferecer dignidade a toda população, seja ela aqui de Cuiabá ou de fora. Esse é um trabalho que não vai parar por aqui. O “Projeto Quero te Conhecer Imigrantes” pretende sensibilizar o maior número possível de população de estrageira aqui em Cuiabá”, disse a  secretária municipal de Assistência Social, Direitos Humanos e da Pessoa com Deficiência, Hellen Ferreira.  

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