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Notícias / Política

18/06/2020 às 15:00

Deputado fala em fraude e quer que MP investigue laboratórios por teste rápido da covid-19

Segundo a Anvisa, mais de 120 tipos de testes rápidos estão autorizados a serem comercializados. Contudo, eles têm 75% de chance de erro em casos de resultados negativos

Camilla Zeni

Deputado fala em fraude e quer que MP investigue laboratórios por teste rápido da covid-19

Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

O deputado estadual Sílvio Fávero (PSL), da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, cobrou uma posição do Ministério Público contra a venda de testes rápidos para o novo coronavírus no Estado. Para ele, as fabricantes estariam com a única intenção de enriquecer, enquanto o produto oferecido não apresenta bom desempenho.

Atualmente, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, responsável pela validação dos exames, mais de 120 tipos de testes rápidos estão autorizados a serem feitos no Brasil, sendo que alguns são de fabricantes repetidos. 

Trabalhando de casa, devido a instituição do teletrabalho na Assembleia, Fávero comentou que um de seus familiares chegou a fazer o teste rápido, tendo obtido resultado negativo para a covid-19 (doença causada pelo novo coronavírus). No entanto, ao realizar o exame PCR, considerado "padrão ouro" e o mais confiável, descobriu estar contaminado.

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"Acho que a Polícia, junto com o Ministério Público, deveria investigar esse exame rápido. Isso é fraude. Cerca de 90% dos exames dão negativos. O preço custa R$ 150 no particular, quando não chega a R$ 250 cada um. Então, para mim, desculpe, mas esse exame rápido é uma enganação", se manifestou o parlamentar, demonstrando indignação com o caso.

Fávero foi além e levantou suspeita de que alguns laboratórios estariam cometendo crime, criando exames que não são precisos apenas com o intuito de alavancar as vendas. "Nós precisaríamos fazer alguma coisa para investigar esse crime nos laboratórios. Tem laboratório enriquecendo. Isso eu estou falando com todo o conhecimento e gostaria de estar errado", completou.


Deputado destacou que testes rápidos não funcionam na maioria dos casos e quer investigação

Testes imprecisos
A parte as acusações contra as empresas criadoras dos testes, o deputado não está errado. De acordo com o Ministério da Saúde, a maioria dos testes rápidos oferecidos no mercado tem limitações gigantescas frente ao novo coronavírus. Segundo a Pasta, quando se tem um resultado negativo nesse tipo de amostragem, a probabilidade de que ele esteja com um diagnóstico correto é de apenas 25%.

Os exames do tipo "rápido" são feitos por amostras de sangue, soro ou plasma. Atualmente existem ainda dois tipos: um identifica se o vírus está ativo no corpo e outro se o organismo possui anticorpos para sua defesa. Nesse último caso, isso significa afirmar que, em algum momento, o paciente teve contato com o vírus. 

Para conseguir identificar a presença do vírus, as autoridades de saúde recomendam que o teste rápido seja feito a partir do sétimo dia dos sintomas ou suspeita de infecção. Isso é necessário porque é entre o 7º e o 11º dia da infecção que o organismo começa a produzir os anticorpos, que virão a ser detectados nos exames rápidos.

Em entrevistas passadas, o secretário estadual de Saúde, Gilberto Figueiredo, avaliou que, por apresentarem o falso negativo com mais frequência, eles poderiam dar uma sensação de que não haveria mais riscos para o paciente. Além disso, comparou o exame a "jogar na loteria", destacando a limitação dos testes em relação ao período de incubação da doença. 

"Se a pessoa for na farmácia nesse momento e não estiver sentindo nada, muito provavelmente ela vai gastar dinheiro a toa. O teste rápido não é considerado para fazer diagnóstico, mas o acompanhamento de pacientes. O teste ideal para ser diagnosticado é o PCH", disse na época.

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