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11/07/2020 às 08:45

Família Baracat sofre perdas sucessivas para a covid e filhos de médicos ficam órfãos; veja relato

Os três filhos do médico Marcel já tinham perdido a mãe e agora junto com o pai também ficaram a avó que ajudava a criá-los

Maria Clara Cabral

A covid se alastra por Mato Grosso, novo epicentro da pandemia no Brasil, abalando famílias inteiras. É o caso dos Baracat, família tradicional de Várzea Grande, que perdeu três membros nesta semana.

Até o momento, oito familiares chegaram a ser diagnosticados com covid-19 na segunda maior cidade do estado, que já registra 1.964 infecções e 170 óbitos pelo novo coronavírus até essa quinta-feira (9).

Na terça-feira (7), faleceu o patriarca João Baracat, 87 anos, diagnosticado inicialmente com pneumonia; já na quinta-feira (9), partiram a filha Nilma, 62 anos, e o neto Marcel, 39 anos.


Ao todo, a grande família de João Baracat é constituída por 20 herdeiros, sendo 12 adotivos. Ele também deixou a esposa, com quem viveu por mais de 60 anos.

Já Marcel Baracat era médico clínico geral e teria contraído o vírus no exercício da profissão; ele atuava recentemente no Hospital São Lucas, em Primavera do Leste, mas também já exerceu a profissão em Sinop. “Ele veio para Várzea Grande para tratar a mãe dele, chegou a medicar o avô e acabou sendo diagnosticado aqui. Mas é bem possível que ele tenha contraído o vírus no próprio hospital”, conta a tia, Eliane Baracat.

Eliane enterrou o sobrinho nesta manhã (10), no cemitério Recanto dos Pássaros, onde era de seu desejo ser sepultado junto à esposa, que morreu há cerca de quatro anos com câncer. Eles deixaram três filhos de 7, 10 e 12 anos.

“Os pequenos estão sofrendo muito e pedem pelo pai. Como a mãe faleceu, quem se dedicava a ajudar no cuidado das crianças era justamente a avó Nilma. Ela era idolatrada, fazia tudo por eles. Sempre muito ativa e animada”, relata Eliane, que enterrou a irmã, mãe de Marcel, logo após no cemitério São Francisco.

Antes dos óbitos, um alivio: Oldair Baracat, também filho de seu João, se recuperou e deixou o hospital sob aplausos, ainda no dia da morte do pai (veja vídeo).




Mas até a recuperação, Eliane conta que o tratamento gera sofrimento já que, durante os 20 dias que ficou internado, Oldair, que é deficiente auditivo, não pode ter nenhum contato com a família. “Conviver com o coronavírus é muito dolorido, preocupante e perigoso. A gente não pode conviver com o paciente. É uma doença que mata mesmo e não está aqui para brincar. Temos que trabalhar na prevenção”.

Segundo Eliane, os outros quatro casos entre os parentes também já foram curados em casa - incluindo o vereador Miguel Baracat. Ela pontua ainda que "não é barato um tratamento de covid particular”, e lança um alerta à população:
“agora o mais importante para o mundo todo é usar a mascara e se manter em isolamento. Não pode ter contato, porque pega mesmo. A população precisa se conscientizar, porque só passando por isso pra sentir”.

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