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Notícias / Literatura

25/07/2023 às 12:35

DIA DO ESCRITOR

Conheça a história de autores de MT que fazem da escrita um portal para a imaginação e sonhos

O Entretê conversou com duas gerações da literatura mato-grossense para saber um pouco mais sobre a paixão pelos livros

Paulo Henrique Fanaia

Conheça a história de autores de MT que fazem da escrita um portal para a imaginação e sonhos

Foto: Reprodução

Esta terça-feira é um dia especial para os amantes da literatura e dos livros, afinal em25 de julhoé comemorado em todo Brasil o Dia Nacional do Escritor. A data foi instituída em 1960 em homenagem ao I Festival do Escritor Brasileiro, realizado pela União Brasileira de Escritores (UBE). E para comemorar, o Entretê conversou com duas gerações da literatura mato-grossense.

Médico, poeta, escritor e imortal da Academia Mato-Grossense de Letras, o cuiabano, que leva no nome o amor pela Capital, Ivens Cuiabano Scaff dispensa apresentações. Aos 72 anos, o escritor é um dos maiores representantes da literatura no estado, com oito livros infantis, cinco livros de poesia e mais dois em produção. Um deles será uma trilogia de romance histórico sobre as Bandeiras em Mato Grosso.

É quase que impossível para ele instituir o momento em que se tornou um escritor de fato: a atividade sempre esteve enraizada na sua vida, afinal, desde pequeno Ivens já se deliciava com os contos infantis dos Irmãos Grimm e pelas histórias fantásticas de Monteiro Lobato, o criador de “Sítio do Pica Pau Amarelo”. Lado a lado com a paixão pela escrita, veio a medicina.

“Comecei a escrever tarde porque eu fui seguir a carreira de médico primeiro e isso ocupa todo o seu tempo, mas desde os anos 70 eu já escrevia algumas poesias nas últimas folhas dos cadernos. Eu fui realmente começar a escrever porque me pediram para fazer um texto pequeno no Sesc sobre o Minhocão do Pari, eu já tinha quase 40 anos. Eu comecei a escrever e o texto se alongou e acabou virando meu primeiro livro que é o ‘Uma Maneira Simples de Voar’. Teve uma época em Cuiabá que muita gente que escrevia se reunia em torno do quadrinista Wander Antunes e eu ajudava a fazer os roteiros do personagem Gonçalinho”, conta Ivens.

Crianças de todas as idades já puderam se apaixonar pelas histórias de Scaff, desde as narrativas de um pequeno garoto que conhece o dia a dia de um menino pobre no atemporal “Mamãe Sonhei que Era um Menino de Rua”, até mesmo nos momentos em que os pequenos sentam ao lado dos pais e pedem para que eles leiam a lenda de “Mamãe Loba e Mamãe das Cavernas”, obra esta que há quatro meses foi selecionada pelo Ministério da Educação para integrar o Programa Nacional do Livro e do Material Didático, o que faz que com a obra seja adotada em todas as escolas do Brasil.

Sempre bem-humorado, Ivens diz que acho engraçado quando os leitores descobrem que ele é um médico. E para ele, a escrita representa isso: “Uma maneira de viajar para outro mundo e recarregar as baterias para enfrentar o dia a dia da medicina”.

O autor sabe que atualmente vivemos em um mundo majoritariamente visual em virtude das redes sociais e do advento da internet, porém ele fica feliz em saber que, mesmo assim, os jovens estão sempre procurando a leitura. “Tenho encontrado crianças que já leram todos os livros do Harry Potter e do Senhor dos Anéis e são livros complexos. Os jovens encaram mesmo a leitura”, o que dá muito mais alegria no coração do autor que ama escrever.

A nova geração

Embora muito jovem, com apenas 26 anos de idade, o professor, palestrante e autor Caio Ribeiro é um expoente na literatura de Mato Grosso. Nascido em Rondonópolis e atualmente morando em Cuiabá, Caio começou a contar histórias bem antes de aprender a ler e escrever, afinal, as imagens também fazem parte de uma narrativa.

“Quando criança eu desenhava e fazia coisas sem uma linearidade. Eu gostava de desenhar formigas dentro do formigueiro usando roupas de gente mesmo, mas eu não as desenhava paradas, elas estavam sempre se mexendo, então a folha ficava um grande rabisco. A partir daí eu sentava com minha mãe e contava para ela essas histórias. Depois, aos cinco anos eu pedia para minha avó me ensinar a ler porque eu foleava gibis e não entendia nada. Logo que fui alfabetizado eu passei a escrever toda hora”, narra o escritor.

Sempre com a mente funcionando a mil, de maneira independente e sozinho Caio “lançou” seu primeiro livro não oficial, o “Porão das Almas”, um apanhado de escritos adolescentes que ele mesmo reuniu, foi até uma gráfica e imprimiu. Mesmo sendo uma obra que representava um momento de rebeldia do rapaz, ela foi o ponto de partida para que em 2017 ele publicasse de forma oficial e por meio de uma editora a obra “Colecionador de Tempestades”.

Formado em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Mato Grosso, o autor viveu de escrita de 2019 até meados de 2023, época em que ele participou de programas como o “Arte da Palavra” do Sesc nacional, a “Fábrica de Poemas” e aproveitou para viajar o Brasil dando cursos de poesia, escrita e palestrando sobre a vida de escritor.

Recentemente, influenciado pelo ídolo Ivens Scaff, Caio diz que entendeu que sendo autor “não vamos viver de poesia, nós vamos viver para a poesia e viver para ela exige que tenhamos outra carreira. Por isso eu voltei para a sala de aula dando aulas de história da arte e literatura para o ensino médio”, conta.

Até o momento ele já tem quatro livros lançados e um em produção. Para ele, o maior desafio de um escritor é nunca perder o hábito da leitura, pois ao se aproximar muito das telas do celular, da televisão e dos computadores, as vezes a pessoa pode perder este hábito que deve ser diário. Outro desafio é encontrar uma editora para chamar de casa, algo que ele teve sucesso ao fechar parceria com a editora Entrelinhas.

“A escrita é tudo para mim. Tudo que eu olho é escrita. Gestos que viram caracteres. A escrita para mim é a possibilidade de escrever e ver o mundo, escrever a realidade. É o que me traz a dignidade de ser uma pessoa que consegue olhar para as coisas e vê-las da forma como são”, diz o apaixonado escritor.

As obras lançadas por Caio são: “Colecionador de Tempestades”, “Manifesto da Manifesta”, “Loucos e Sábios: O Livro dos Diamantes” (em parceria com Marília Beatriz de Figueiredo) e “Manifesto da Manifesta: Mundo-Livro”.

Além das salas de aula, atualmente ele faz parte doColetivo Spectrolab – Investigação Cênica. Ele também é editor e fundador da revista Matacapos e também curador e editor geral da Revista Le!a (projeto em parceria do Sesc-MT e Sesc-MS) e também já escreveu peças teatrais como “Coió”, dirigiu a peça “Vidas Provisória” e no cinema atuou nos curtas “6 Dias Depois do Fim do Mundo”, “Ausência”, “Antes do Mundo Acabar” e “Angelus Novos”.
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