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Notícias / Entrevista

22/01/2024 às 16:01

MÚSICA E DANÇA

Conheça Digrecco, as irmãs cuiabanas que fazem sucesso nos palcos do país com música pop

Quer saber mais sobre as artistas? Confira a nova matéria do quadro “A História Por Trás do Artista”

Gabriella Arantes

Conheça Digrecco, as irmãs cuiabanas que fazem sucesso nos palcos do país com música pop

Foto: Divulgação

Por amor à arte, as irmãs Camilla e Giovanna Di Grecco deixaram a carreira em arquitetura e urbanismo de lado e juntas formaram durante a pandemia o duo "Digrecco". As artistas são influenciadas pelo universo pop nacional, americano, latino e pelo hip hop. As meninas são de Cuiabá e atualmente moram em São Paulo.

Com mais de 12 mil seguidores no Instagram e clipes com 170 mil visualizações no YouTube, a dupla vem fazendo sucesso por onde passa. Elas já abriram shows de grandes nomes da música como Luísa Sonza, Pabllo Vittar e Lexa. Além de participarem da Feijoada de Inverno de Chapada dos Guimarães (67,8 km de Cuiabá) e do Réveillon de 2024 na cidade.

Ambas tiveram influências artísticas desde de pequenas na família, com o pai e com a irmã mais velha que é a atriz e cantora Gabriela Di Grecco. Ela participou da novela Além do Tempo e ganhou reconhecimento internacional por co-protagonizar a série Bia, do Disney Channel.

As garotas também são formadas em Ballet Clássico e já participaram de competições no Brasil (2003-2009) e até em Nova York (2010). Desde 2020 a dupla vem se dedicando a Digrecco. Em junho de 2021, foram convidadas para se apresentar na premiação latinoamericana SEC AWARDS, ao lado de grandes artistas. Finalizando 2021, Camilla e Giovanna criaram o projeto audiovisual “Digrecco Session”, em que recriaram grandes hits da música.

Em 2022, a dupla estreou no cenário pop autoral com a canção e videoclipe de “Checkmate”, em 2023 lançaram “Veneno”, “Mi Amor”, “Lado B” e o mais recente “Na Minha Mão”, que compõem seu primeiro EP de carreira.

Confira a entrevista completa do quadro“A História Por Trás do Artista”:
Entretê - Como começou a relação de vocês com a música? Foi desde criança?

Camila - A nossa relação com a música começou primeiro através da dança. Somos bailarinas e a gente começou na infância a dançar. Eu comecei com 6 anos e a Giovanna começou com 9 anos. Além disso, a minha família é musical. Meu pai toca violão e sempre cantou junto com a gente em casa. Então a gente sempre teve essa relação boa com a música. Através da dança eu participei de competições e a Giovanna também. Ela inclusive ficou no terceiro lugar no mundial de balé clássico, ela foi representar o Brasil em Nova York, isso foi na adolescência. Então a gente sempre teve essa ligação forte com a música e só adultas que a gente quis começar a cantar, isso por influência da nossa irmã mais velha, ela é atriz e cantora. A gente ainda não tinha a experiência de cantar ainda, só com a dança. A nossa irmã mais velha está no ramo já faz uns bons anos e a gente foi tendo contato com o trabalho dela com set de filmagens e aí foi dessa forma que a gente viu que era possível entrar para a carreira artística já que a gente conseguia ter um contato muito próximo com ela e ver ela concretizando o seu trabalho. Eu gostava de cantar, mas gostava de cantar em casa, não tinha tido outras experiências e a Giovanna a mesma coisa. Só que a gente via que sempre gostamos muito disso.

Nós somos de outra profissão, somos arquitetas na verdade e a gente já exercia a profissão. Só que a gente não gostava da profissão, não curtimos o que fazíamos. Então veio essa insatisfação com a profissão antiga, mais esse contato com a música e o audiovisual com a nossa irmã mais velha, que a gente foi vendo que gostávamos muito do que a minha irmã fazia e começamos a considerar isso como uma possibilidade de mudança de profissão.

Entretê - Então vocês deixaram a arquitetura totalmente de lado?

Camila - A gente ainda faz algumas coisas porque ainda temos empresa. Meu pai é arquiteto e minha mãe também, nós trabalhávamos todos juntos. Essa empresa ainda existe, então a gente ainda faz algumas coisinhas nos bastidores, mas não estamos atuando mais de fato. Nós migramos de profissão mesmo.

Entretê - Como foi a infância de vocês em Cuiabá? Qual bairro moravam?

Camila - A gente foi criada no bairro Jardim Califórnia, é um bairro que fica próximo do Shopping Três Américas. A gente cresceu nesse bairro. E algo que influenciou a gente também é que estudamos em uma escola em Cuiabá que é de uma metodologia chamada Waldorf, é uma metodologia alemã. Ela traz as pessoas para essa valorização do ser humano como indivíduo. Então é uma escola que não tem uniforme, tem várias atividades artísticas dentro das disciplinas, não são só as convencionais. Então acho que foi uma influência boa na nossa formação por ter esse contato mais artístico também através da escola.



Entretê - Atualmente vocês moram em São Paulo. Por que decidiram sair de Cuiabá?

Camila - A gente já tinha essa pretensão de que iria chegar um momento para a gente se mudar para uma cidade maior, onde tudo acontece, como é o caso de São Paulo. Para a gente poder aprimorar mais o nosso trabalho, para poder ter mais acesso às fontes de estudo, mais acesso às agendas de show e mais pessoas que estão envolvidas com o âmbito artísticos. Então a gente já tinha isso em mente que uma hora isso iria acontecer. De qualquer forma, eu já morei em São Paulo e a Giovanna também. A gente fez faculdade de arquitetura aqui, então São Paulo não era uma novidade para a gente, já tínhamos uma vivência aqui. Minha irmã mais velha há muito tempo mora aqui, ela fez faculdade aqui também, então nós não viemos para cá do zero. Acredito eu e aqui é a cidade que as coisas mais acontecem e na área artística, principalmente no pop, é muito importante a gente estar em um lugar onde as coisas começam de fato no Brasil. A gente esperou ter uma fase de amadurecimento do nosso trabalho para podermos vir para São Paulo.

Entretê - O show de vocês tem muitas danças e figurinos coloridos. Qual a importância disso durante a performance?

Giovanna - Desde o início a gente sempre se preocupava bastante com a performance. Até porque viemos do balé e estamos acostumadas a ver a construção de um espetáculo. A gente se preocupou em colocar um telão que tivesse uma parte de visual que encaixasse com as músicas e fazer algo mais personalizado. Então a gente sempre se preocupou com coreografias, nós fazemos um show praticamente inteiro coreografado. Conforme a gente foi fazendo mais shows e tendo mais estrutura, a gente inseriu os bailarinos. Eles também têm contato com o balé clássico e com outras áreas da dança.

Sempre foi o nosso foco trazer um show que tivesse mesmo cantando covers uma cara de show autoral, onde existe uma personalidade própria. Nós também nos preocupamos muito com o figurino, tanto nosso quanto dos bailarinos. Para que exista sim um destaque das cantoras em relação ao balé para poder diferenciar, mas que o balé também tenha a sua personalidade. Então a gente sempre conversa com eles, sobre como podemos combinar as cores. Por exemplo, teve um show que nós duas estávamos de vermelho e queríamos que o balé se destacasse de alguma forma e vimos que a melhor saída ali seria o balé ficar de branco, com as luzes do palco refletindo ia chamar muita atenção. Então a gente sempre se preocupa em conversar para que aquilo se torne uma unidade, mas tendo esse destaque da dupla em relação ao balé.

Sobre o nosso figurino, a gente sempre gosta de uma estar combinando com a outra, tanto a cor como o estilo. A gente se preocupa também com o conforto dos nossos figurinos, justamente porque temos muitas coreografias no nosso show. A gente se preocupa em adaptar o figurino para que fique a cara do show, que represente a nossa personalidade também e que seja confortável para fazer as coreografias.



Entretê - Além do pop, quais são os outros ritmos musicais do repertório da Digrecco?

Giovanna - A gente gosta muito de trazer o que está em tendência no momento para o público também se divertir com o que está viralizando. Gostamos muito de um pop voltado para o latino, então algumas músicas que trazem essa referência do reggaeton a gente também gosta de trazer. A gente também mescla muito com o pop internacional mais americano, pop anos 2000, é o nosso estilo, a gente dá uma circulada nesse pop. Tanto latino, quanto americano e a gente sempre gosta de trazer uma referência de pop anos 2000 que foi a nossa maior inspiração em relação a música, até para o nosso estilo de música autoral. Nós gostamos de trazer essa referência de músicas icônicas das divas do pop.

Entretê - No final de 2021 vocês lançaram o projeto audiovisual "Digrecco Session". Como ele funciona?

Camila - A gente fez como um primeiro projeto nosso de fato, a gente mostrando que estávamos cantando de uma maneira mais profissional e tudo mais. A gente ainda não tinha lançado nenhuma autoral ainda, por isso que veio essa ideia de fazer a Digrecco Session com músicas covers. Nós colocamos a nossa identidade trazendo uma mistura de música nacional com internacional. Então em cada música são misturas de duas músicas, uma nacional e outra internacional. A gente misturou músicas mais antigas como Sandy & Júnior com uma música latina mais atual. E nós fizemos uma bagunça aí, com a mistura das nossas músicas, para trazer essa identidade, mesmo não sendo músicas nossas.

Entretê - Vocês também tem músicas autorais? Quais são?

Camila - A gente começou em 2022, fizemos o lançamento de “Checkmate”, foi a nossa primeira música autoral. Depois disso nós lançamos mais quatro músicas em 2023, então foram cinco músicas autorais no total. Onde a gente fechou um EP, que é um álbum pequeno. Então esse foi o nosso primeiro lançamento autoral, a gente quis fechar esse EP para marcar esse momento e cada uma das músicas a gente traz algumas dessas referências que a gente gosta muito de trabalhar. Então primeiro foi “Checkmate” que tem essa pegada bem pop americano, depois vem “Veneno” que é um pop bem anos 2000, inclusive no clipe nós trazemos referências dessa época. Depois vem “Mi Amor” que tem trechos em espanhol e trouxemos essa pegada latina desse estilo de música mais romântico, depois veio “Lado B” que é uma música mais hip hop americano que também é uma referência para a gente. E por último a gente trouxe uma música que tem uma pegada reggaeton que chama “Na Minha Mão”. A gente optou por fazer clipes para todas essas músicas e todas a gente trouxe a referência visual da sonoridade que a gente estava trazendo na música.



Entretê - Como vocês veem o cenário do pop em Mato Grosso e em Cuiabá?

Camila - Acredito que é um cenário novo no nosso estado e é um cenário que está em ascensão também. Em cada ano a gente vê um bom crescimento do pop na nossa cidade através de artistas e eventos novos que estão acontecendo. Então é um movimento que está vindo com muita força, junto com o pessoal de universidades e com o pessoal da diversidade. Acho que aos poucos o pop e a música alternativa de forma geral em Mato Grosso está conseguindo galgar o seu espaço. Nós temos outros estilos musicais que são bem consolidados e que tem muita abertura para shows, como é o caso do sertanejo e pagode. Então é um movimento novo e que está vindo com muitas ideias e uma força bem legal para o nosso estado.




Entretê - Como foi participar do Festival de Inverno da Chapada dos Guimarães, do Réveillon e da abertura do show da Luísa Sonza?

Giovanna - O show da Luísa Sonza foi o primeiro grande show que participamos. Para a gente foi uma super novidade, não esperávamos que fosse acontecer tão rápido. Porque quando essa apresentação chegou para a gente, nós só tínhamos feito três shows até então. Nós não tínhamos essa experiência de palco cantando, tínhamos apenas através do ballet, porém cantando ainda era algo novo. A gente ainda estava se conhecendo como uma dupla em cima de um palco e interagindo com público, porque antes disso nossa interação era virtual somente. Quando chegou a oportunidade de fazer o show da Luísa Sonza foi quando a gente viu que era a nossa chance de mostrar o máximo que conseguiríamos do nosso trabalho. Aproveitamos esse momento para fazer muitos ensaios com bailarinos, até então a gente não tinha feito com balé próprio. Nos preparamos por cerca de um mês, criando coreografias com os bailarinos, fazendo a parte do visual e de telão para trazer mais essa nossa identidade. Foram dois dias de Luísa Sonza que fizemos, no primeiro dia entramos depois dela e no outro entramos antes. Experimentamos duas temperaturas de platéia, nesses dois dias aprendemos muito. A gente ficou super feliz, tem muita gente que nos para na rua porque conheceu a gente através do show da Luísa, então foi uma experiência muito legal.

Depois passaram mais alguns shows que fizemos abertura, que foi o da Lexa e depois abrimos também o da Pabllo Vittar. Mais para frente veio o Festival de Inverno que foi o nosso maior público até aquele momento, foram 30 mil pessoas. É uma responsabilidade muito forte participar de um festival já consolidado, então a gente ficou muito feliz com o convite e a possibilidade de estar no palco principal. O evento tinha dois palcos e eles deram esse voto de confiança de colocarem a gente em um palco onde estariam as atrações principais. Como o Festival de Inverno é um público diverso, a gente se preocupou em trazer um pop que não só quem consome vai entender, mas algo que transita melhor para todo o tipo de público. Para o Réveillon a gente também seguiu essa mesma lógica por ser um evento aberto, tivemos os desafios do deslocamento por conta dos bloqueios no Portão do Inferno, então a gente teve mais esse aprendizado sobre como faríamos com a logística. Mas foi um show muito bom e eu creio que até hoje foi o nosso melhor da nossa carreira.

Entretê - Além de cantar e dançar, o que vocês gostam de fazer nas horas vagas? Tem agum hobby?

Giovanna - Eu e Camila gostamos muito da cultura gastronômica. Nas horas vagas a gente gosta muito de conhecer lugares novos, aqui em São Paulo principalmente porque tem muitas opções. Então a gente sai muito para restaurantes e cafés. Além disso, nós temos a preocupação com a nossa saúde, nós frequentamos academia. Mas acho que o nosso maior hobby é restaurantes e cafés. O resto do tempo nós estamos envolvidas com a nossa carreira.

Camila - Até porque tudo que envolve novidades e experiências novas o nosso hobby acaba sendo esse. É importante para a nossa área, a gente conhecer ambientes novos, isso já dá uma ideia do que dá para fazer no palco, ou uma iluminação diferente de algum lugar. Então tudo a gente pega de referência, ainda mais em São Paulo que tem muito lugar para ir e novidades acontecendo. No fim a gente está sempre trabalhando, porque mesmo indo para um restaurante a gente senta e o assunto é trabalho. De alguma forma a gente acaba usando para o que nós fazemos.


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