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Notícias / Entrevista

01/04/2024 às 17:01

MÚSICA LOCAL

De médica veterinária a cantora, confira a trajetória da artista mato-grossense Pacha Ana

Pacha Ana é uma das participantes do quadro “A História por Trás do Artista” desta semana

Gabriella Arantes

De médica veterinária a cantora, confira a trajetória da artista mato-grossense Pacha Ana

Foto: Divulgação

Será que é possível conciliar duas profissões totalmente diferentes? A cantora, compositora e poeta mato-grossense, Pacha Ana, 29 anos, faz isso muito bem. Além de artista, a musicista também é médica veterinária atuante.

Pacha Ana é protagonista do quadro “A História por Trás do Artista” desta semana. Nascida em Rondonópolis (a 214,6 km de Cuiabá), a cantora contou ao Entretê que teve influências artísticas desde de pequena com o pai, a mãe e a irmã.

A artista encantou o público cuiabano com uma voz potente, cantando samba e hip hop. Por ser adepta às religiões de matrizes africanas, ela ainda mescla ritmos da doutrina no seu repertório musical. Ao todo, Pacha Ana possui três discos gravados: “Omo Oyá”, “Suor e Melanina” e “Motumbá”.

Entre junho e julho deste ano, a artista promete romper fronteiras. A musicista fará uma turnê pela Europa, começando por Portugal.

Confira a entrevista completa:

Entretê - Como começou sua paixão pela música?


Pacha Ana - Eu sou de Rondonópolis, vim morar em Cuiabá faz 11 anos. Tenho envolvimento com música desde criança porque minha mãe tinha uma vitrola. Ela tinha uma coleção de discos de vinil. Então meu movimento começou aí, mexendo nos discos e colocando para tocar. Aos 14 anos meu pai me deu um violão e comecei a tocar as primeiras músicas e também escrevia as músicas. Mas acho que a minha maior influência foi através do hip hop por causa da minha irmã que ouvia muito rap. Foi onde eu bebi para gostar de música, tanto pelos meus pais através da vitrola e coleção de discos, como minha irmã também. E o pontapé inicial foi meu pai ter me dado um violão.

Entretê - Para se profissionalizar na música, como foi esse processo e quando aconteceu?

Pacha Ana - Eu vim para Cuiabá para estudar medicina veterinária e não tinha pretensão nenhuma de ser cantora. Mas eu tinha muito envolvimento com a arte, gravava vídeos e postava. Acabou virando profissional no inconsciente, eu comecei a participar muito dos eventos de cultura de rua e saraus. E aí eu comecei a tocar e fazer participações. Quando eu vi já tinha um show meu completo, quem ajudou a fechar meu primeiro trabalho foi o Dj Taba.

Entretê - O que o público pode encontrar no repertório dos seus shows?

Pacha Ana - Estou em uma dualidade, porque faço tanto música em barzinho. Faço samba, brasilidades e samba de terreiro. Mas também tenho um trabalho autoral com o hip hop e a cultura de rua. Eu tenho o primeiro disco de rap feminino do Mato Grosso, também lancei um disco de samba autoral, então estou nessas duas vertentes aí. Inclusive faço uma apresentação que vai do hip hop ao samba.

Entretê - Você costuma mesclar a religião com a música, como funciona?

Pacha Ana - Eu sou adepta das religiões de matrizes africanas, eu sou de um terreiro de Candomblé que também toca Umbanda. Então faz muito sentido pra mim poder trazer a minha religião na minha arte também. E aí já bebendo dessas duas fontes que é o hip hop e o samba, são duas artes marginalizadas assim como a religião também é. Então foi meio que poder trazer tanto um ritmo ancestral, como também trazer a militância nisso. Trazendo também a importância de falar sobre isso, esse recorte e representar várias pessoas que não tem sua arte representada em outros estilos.

Entretê - Quais são seus trabalhos autorais na música?

Pacha Ana - Eu tenho três discos lançados “Omo Oyá”, o segundo é o “Suor e Melanina” e o terceiro é “Motumbá”. O primeiro disco foi de apresentação, tem vários estilos misturados, desde o hip hop ao samba. Tem samba de terreiro e rap. No segundo disco eu venho falando um pouquinho de amor, trazendo esse amor como pauta. É um disco bem mais pop, que tem uma pegada de soul e funk. Então foi outra linguagem, mas continuo ali no rap. No terceiro disco que lançou no ano passado, o “Motumbá”, ele é um disco só de samba de terreiro. Foi justamente porque eu estava em um barzinho fazendo samba e as pessoas estavam conhecendo o meu trabalho enquanto sambista. Muita gente me conhece só do rap, começou a ver meu trabalho como sambista, musicista e compositora. Então eu comecei a fazer esse disco de samba que é o “Motumbá”. Então são três discos, cada um com sua particularidade, mas acho que os três falam bastante de mim. Tem religião, amor e ancestralidade. Além das pautas importantes, como empoderamento, machismo e outros assuntos.



Entretê - Além de ser artista, você também é médica veterinária. Como lida com as duas profissões?

Pacha Ana- São duas profissões bem difíceis, que consomem bastante o profissional. Mas ser só cantora não estava conseguindo suprir as minhas expectativas financeiras. Eu tenho contas para pagar e precisei dar um outro passo. Quando me formei em medicina veterinária, não tinha pretensão de atuar. Mas na pandemia passamos um momento bem crítico para os artistas e a gente se viu sem saída. Fiquei quebrando a cabeça tentando procurar emprego e pensei “já tenho uma profissão”, talvez só não quisesse praticar ela. Mas aí acabou acontecendo e eu arrumei um trabalho que me permitiu desenvolver e aprender coisas que só tinha visto na faculdade e não me lembrava mais. Isso não me atrapalhou na música, consegui continuar conciliar a minha carreira musical.

Entretê - Como surgiu seu nome artístico?

Pacha Ana - Meu nome é Ana Gabriella, mas Pacha, que vem de Pacha Mama, significa mundo. Quando eu era mais jovem viajei pela América, então eu fiz Bolívia, Peru, Equador e Colômbia. Quando eu voltei de lá um amigo me deu esse apelido de Pacha Ana, fazendo referência a Pacha Mama. Justamente porque esses povos dos Andes fazem muito referência a Pacha Mama. Então quando eu voltei rolou esse apelido e acabou ficando. Foi ótimo, porque casou esse apelido e eu gostei bastante.

Entretê - Quais são os seus sonhos para o seu futuro como artista?

Pacha Ana - Não que eu não queira me dedicar como médica veterinária, mas meu sonho mesmo é viver de música. Então eu espero que a nossa música mato-grossense e cuiabana chegue mais longe e fure a bolha para que a gente possa ser remunerado corretamente por isso. Para que a gente entenda que o artista tem uma profissão como qualquer outra e tenha um salário fixo.

Entretê - Você fará uma turnê pela Europa de junho a julho deste ano. Como está a preparação?

Pacha Ana - Já tem alguns bares que estou articulando, então já fechei alguns contatos. Eu vou divulgar essa agenda mais breve, mas ela é real. Nossa primeira parada fazendo trabalho autoral será em Portugal e depois tento chegar em outros lugares que ainda estou articulando.
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