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Notícias / Entrevista da Semana

14/04/2024 às 08:06

ENTREVISTA DA SEMANA

Comemorando 80 anos da PF, superintendente avalia desafios e destaca evolução no combate ao crime organizado em MT

Um ano na gestão, a primeira superintendente mulher de MT concedeu entrevista exclusiva ao Leiagora

Eloany Nascimento

Comemorando 80 anos da PF, superintendente avalia desafios e destaca evolução no combate ao crime organizado em MT

Foto: Divulgação

O ano de 2024 tem grande importância para a Polícia Federal, que completou 80 anos de existência no dia 28 de março. São décadas de trabalho com foco no combate ao crime organizado. Diante disso, o Leiagora esteve em bate-papo com a superintende da Polícia Federal de Mato Grosso, a primeira mulher a assumir a regional, delegada Lígia Neves Aziz Lucindo. 

Durante a conversa, a chefe da unidade avaliou os desafios e destacou a evolução no combate ao crime organizado em diversas frentres, especialmente contra a pornografia e crimes de exploração sexual infantil, bem como crime transfronteiriços.

Na oportunidade, a delegada contou sobre sua trajetória na Polícia Federal, os desafios enfrentados por ser uma mulher em cargo de liderança e aproveitou a oportunidade para falar sobre a exposição fotográfica em comomemoração aos 80 anos da PF, que foi aberta na última sexta-feira (12), no Shopping Goiabeiras, em Cuiabá. Confira a íntegra da entrevista exclusiva abaixo:

 
Leiagora - Este ano a Polícia Federal completou 80 anos. Gostaria que começasse falando sobre a trajetória da instituição e como essa data será comemorada? 

Lígia Neves Aziz Lucindo - Eu agradeço a oportunidade de estar falando sobre o trabalho da Polícia Federal. Não só no Brasil, mas especialmente aqui em Mato Grosso. Neste ano, no dia 28 de março nós completamos 80 anos de existência e para nós tem sido um motivo de orgulho poder mostrar a evolução da instituição desde a sua criação em 1944 até os de hoje.

As ações que a Polícia Federal planejou para comemorar esse ano de aniversário ela se estenderão durante todo o ano de 2024 e envolvem todos os estados da Federação. Então eu tenho certeza que vocês estão podendo acompanhar em diversas capitais e em outras localidades em que a gente tenha delegacias da Polícia Federal com comemorações junto à comunidade junto com outros órgãos de Segurança Pública e defesa para comemorar a evolução dos nossos trabalhos. Eu acho que hoje nós estamos num momento de maturidade institucional de maturidade que nos permite inclusive é focar as nossas atuações numa articulação integrada com outras camadas da sociedade civil, com outras organizações policiais e fiscalização e outras frentes de ação, então é um ano de de muita expectativa, mas de grandes celebrações pelos trabalhos que estão sendo realizados.

Aqui é Mato Grosso, nós iniciamos essas comemorações na sexta-feira passada, fizemos aqui na superintendência uma celebração que reuniu o nosso efetivo e também convidados de organizações e instituições parceiras. Foi um momento de celebrar justamente esses relacionamentos tanto internos, quanto externos da nossa superintendência de Mato Grosso, nós podemos inclusive fazer videoconferência da cerimônia que foi feita aqui com as nossas quatro unidades descentralizadas de Barra do Garças, Cáceres, Rondonópolis e Sinop.
Então foi uma uma celebração em que podemos com a visita de instituições parceiras celebrar esse momento com as nossas unidades do interior também.

Na sexta-feira dia 12 de abril, realizamos a cerimônia de abertura da nossa exposição fotográfica no Shopping Goiabeiras que é um parceiro institucional importante para nós, pois lá nas instalações do shopping que está o nosso posto de expedição de passaportes, uma unidade de atendimento ao público que atende toda a circunscrição aqui da superintendência de Mato Grosso. 

Essas fotografias são muito representativas da evolução da Polícia Federal da história da Polícia Federal ao longo desses 80 anos, são atividades de demonstração de atividades operacionais, demonstração de atividades de atendimento ao público, meios operacionais e logísticos empregados pela instituição no exercício das suas competências. É além da exposição fotográfica no Shopping Goiabeiras, estão sendo planejados outros momentos comemorativos com a comunidade tanto aqui  na capital quanto no interior e assim oportunamente quando a gente estiver com todos os detalhes aqui para o estado de Mato Grosso eu poderei também passar um cronograma dessas atividades especialmente no interior.

Leiagora- Qual foi a ideia de escolher a exposição como uma das homenagens e o objetivo?

Lígia Neves Aziz Lucindo - A nossa Coordenação Geral de Comunicação Social quando pensou na celebração dos 80 anos da Polícia Federal desde o ano passado, pensou em momentos em que a gente pudesse compartilhar com a comunidade um pouco da nossa história, por meio de imagens, não só das atividades operacionais da Polícia Federal, mas inclusive dos meios que a polícia utiliza para dar atendimento às suas responsabilidades. Então o norte para essa essa exposição fotográfica é mostrar a evolução dos meios que a Polícia Federal emprega para realizar as suas atividades.

Leiagora - São várias histórias e evoluções durante os 80 anos da PF, e a senhora fez parte de muitos momentos, inclusive, foi a primeira superintendente mulher de Mato Grosso. Como é tudo isso?

Lígia Neves Aziz Lucindo - Eu tenho dito em alguns foros em que tenham participado que a representatividade feminina na Polícia Federal hoje é fruto dessa nova mentalidade da nossa instituição. Nós somos nove superintendentes atualmente da Polícia Federal nos estados, temos também mulheres em outras funções de direção na Polícia Federal e esses números são os maiores em cargos de representação e chefia na nossa instituição ao longo dos 80 anos. 

Essa mentalidade de uma Polícia Federal, inclusive atenta a diversidade e as diversas capacidades que a sociedade tem a oferecer é que propiciou esse ambiente em que nesse momento eu esteja aqui como superintendente da Polícia Federal em Mato Grosso outras colegas mulheres estejam em posição de liderança na Polícia Federal e colocando para a instituição ou a favor da instituição cada uma a sua história de vida e as competências que foram angariando ao longo da sua trajetória profissional. 

Eu tomei posse na Polícia Federal em São Paulo no ano de 2003, vim antes exercer o cargo de procuradora Federal do INSS e ao tomar posse na Polícia Federal eu tive a oportunidade de dar continuidade inclusive tecnicamente ao trabalho que realizava na área da Previdência Social.

Em primeiro momento, então na Polícia Federal eu trabalhei na área de combate aos crimes previdenciários, já se vão 20 anos, então de lá para cá tive a oportunidade de atuar em diversas outras áreas técnicas e posso dizer que chego ao estado do Mato Grosso muito motivada inclusive pela evolução dos trabalhos da Polícia Federal ao longo desses anos. 

O estado de Mato Grosso é um estado que nos apresenta grandes desafios na área de segurança pública, que tem fronteiras terrestres internacionais, temos uma extensão territorial considerável, divisa com outros muitos estados da federação e é um estado com uma pujança econômica e social muito grande. Então para mim é uma honra muito grande e uma honra enorme poder servir a essa altura na minha trajetória profissional. Como disse, com atuação em várias frentes técnicas de ação num estado com tantos desafios e na área de segurança pública.

Leiagora - Neste mês, completou um ano que a senhora está a frente da Superintendência de Mato Grosso e quando tomou posse revelou que teria como foco o combate ao tráfico, crime organizado e ambiental. As expectativas foram superadas?

Lígia Neves Aziz Lucindo - O trabalho de segurança pública, é um trabalho contínuo em que a gente precisa reinventar e reinventar as relações ao longo do caminho, me recordo que acerca de um ano atrás para ocasião de minha posse falamos principalmente no que diz respeito ao estado do Mato Grosso, de grandes metas na área de Proteção Ambiental, o controle de fronteiras e é claro que também o combate ao tráfico de drogas ao tráfico internacional de entorpecentes essas têm sido e se mantém como as prioridades eh da gestão e da execução de nossas atividades.

Eu gostaria de ressaltar especialmente nesse período que eu estou aqui a importância das instituições e do relacionamento entre as instituições para o cumprimento dessas metas. Segurança Pública não se faz sozinho, é uma área de atuação do estado em que a articulação das forças de segurança e outras agências de fiscalização e defesa é essencial para um combate efetivo ao crime organizado nas suas várias frentes. Então hoje eu sei que a gente pode assistir a uma a uma demanda crescente da sociedade para um combate efetivo do crime organizado ambiental, tráfico de drogas e inclusive considerando a interface dessa criminalidade organizada em várias frentes de ação, então da mesma forma da nossa parte dos órgãos de segurança e defesa é importante que a gente se articule para dar conta de todas as frentes de atuação necessárias.

Em geral as nossas competências têm foco no combate internacional, interestadual além de crimes por exemplo relacionados à terras públicas que tem uma proteção federal, mas é claro que a gente sabe que o combate a esse tipo de ação precisa ser feito com instituições que têm competências em outras áreas.

Então eu diria que a segurança pública é muito importante que a gente renove esses pactos que são feitos entre as organizações para que a gente conte consiga manter a efetividade.

Leiagora - Como é feito esse trabalho integrado no dia a dia?

Lígia Neves Aziz Lucindo - Hoje em dia nós temos até muitas ferramentas de interação. A internet nos ajuda muito com isso a tecnologia em geral. São maneiras de relacionar tanto as pessoas quanto as instituições instrumentalizadas pela tecnologia, então nós temos várias iniciativas de interoperabilidade de sistemas é de interface entre as nossas investigações os ambientes de integração são cada vez mais valorizados e uma que eu gostaria de destacar especialmente aqui no Estado do Mato Grosso, é que nós temos a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO), formada pela Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e pelas forças de segurança estaduais vinculadas à Secretaria de Segurança Pública, essa força é um um ambiente de troca de informações de inteligência de condução de investigações de maneira compartilhada é só um dos exemplos de ambientes interagentes que a gente constitui aqui no âmbito do Estado de Mato Grosso, para potencializar essa sinergia e essa necessidade de maior integração entre as nossas ações tanto operacionais quanto investigativas e também de inteligência policial.

Leiagora - A Polícia Federal tem atuado fortemente com várias operações de combate na região de fronteira, inclusive era uma das metas estabelecidas quando a senhora assumiu a instituição. Como tem sido esse trabalho?

Lígia Neves Aziz Lucindo - A Polícia Federal em relação às fronteiras ela tem duas competências principais, além do combate aos crimes transnacionais, nós somos responsáveis pelo controle e segurança de fronteiras, esse trabalho é um trabalho, é que a gente chama de de polícia de controle de fronteiras, pode ver que nos aeroportos nos portos e nas fronteiras terrestres sempre tem uma unidade da Polícia Federal registrando entrada e saída de pessoas tanto de estrangeiros quanto de nacionais. Esse é um trabalho que eu diria administrativo, mas muito importante também para fornecer insumos para as nossas atividades na área criminal, porque são informações relevantes da área de entrada e saída de pessoas no país que podem nos apoiar e nos ajudar e aí em prol de toda a segurança pública brasileira. São informações que a Polícia Federal tem pelo seu exercício da atividade de controle de fronteiras usado inclusive para nos dar subsídios para as nossas ações na área de combate à criminalidade.


Leiagora - Outro foco traçado como meta foi o combate contra a pornografia e crimes de exploração sexual infantil. Como a instituição atua nessa repreensão?

Lígia Neves Aziz Lucindo - Nós temos um diretoria que é de combate a ataques cibernéticos que nós chamamos de The Cyber . E ela têm uma atuação muito ágil para identificação de riscos, o que diz respeito aos crimes de exploração sexual infantil, pedofilia e todos esses crimes que se relacionam muito em geral com a primeira infância. De fato, a nossa estrutura está preparada para receber informações diversas partes do mundo para compartilhar conhecimento para que a nossa ação seja efetiva tanto na repressão quanto na prevenção de crimes como esses. 

A imprensa está nos ajudando a divulgar as ações que a polícia faz diuturnamente combatendo os crimes de pedofilia infantil e todos os dias eu posso dizer que a Polícia Federal tem ações em relação a pedófilos em relação a exploradores dessa área e elas têm um caráter além de repressivo preventivo muito importante. 

Acho que a sociedade brasileira está percebendo o quantos órgãos de segurança estão se articulando para evitar práticas contra a dignidade da pessoa humana. Em Mato Grosso como em todos os estados da Federação a gente tem.

Uma profusão de investigações e uma profusão de operações que tem a intenção principal de inibir e de reprimir essas ações contra a pedofilia e à exploração sexual.


Leiagora - Quais foram os preconceitos e dificuldades que teve durante a trajetória até aqui? Percebeu alguma resistência de alguns homens por serem comandados por uma mulher?

Lígia Neves Aziz Lucindo - Confesso que é uma pergunta que me tem sido feita, ao longo da minha trajetória profissional, mas diria que mais recentemente é uma preocupação maior da sociedade. Imagino que você também como mulher esteja sentindo isso que é na dinâmica social atual essa preocupação em ver os papeis que a mulher possa ocupar na sociedade, mais do que isso ver a maneira como a mulher se sente ao ocupar essas posições. 

Posso dizer que há 20 anos, de uma maneira geral, não era uma preocupação nem dos homens nem das mulheres se posicionarem a respeito da possibilidade, por exemplo, de mulheres em situação de liderança. Hoje só de nós termos da sociedade em geral uma preocupação em saber como nós sentimos, quais as dificuldades que tivemos, já diz muito sobre a evolução da sociedade em relação a esse tema.

A nossa instituição também eu posso dizer que tem evoluído. Uma instituição que é agregada às muitas mudanças sociais. Estou há 20 anos e então posso dizer que esses últimos 20 anos tem evoluído nesse tratamento e como eu disse é o fato de hoje eu estar aqui como superintendente ter outros colegas nessa posição na Polícia Federal diz muito sobre a evolução da sociedade e da própria instituição.

Claro que já passei por situações em que precisei me posicionar de uma maneira mais firme em relação a minha posição talvez por causar algum desconforto tanto interna quanto externamente nas funções que exerci, mas confesso que sempre tive muita confiança de que integrava uma instituição técnica.

Então é lógico que o caminho que as mulheres precisam percorrer para chegar a uma posição de destaque ou de liderança costumam ser mais difíceis, mais áridos, somos mais cobradas e por outro lado acho que até pelas nossas características pessoais nos cobramos mais e muitas vezes mais do que os próprios homens.

Por fim, o que eu posso dizer é que hoje eu me sinto muito confortável e por entender que a sociedade está reconhecendo o valor dessas lideranças femininas, inclusive na formação das novas gerações e por me sentir confortável também por reconhecer na minha instituição uma instituição que está preocupada em valorizar esse papel sabendo que é um passo que tem que ser dado para que outras gerações possam fazer diferente do que nós fizemos ao longo desses 80 anos da Polícia Federal… E eu fico já ansiosa por saber como será o papel da mulher nos próximos 80 anos também.

Leiagora - Não poderíamos deixar de falar sobre a atuação da PF neste ano político. Tem alguma estratégia para o período eleitoral?

Lígia Neves Aziz Lucindo -
Estamos em ano eleitoral e é calro que existem vários preparativos em curso, não só na Polícia Federal, mas outras instituições na área de segurança pública e defesa que têm um papel primordial na defesa das instituições eleitorais que configuram o estado democrático de direito brasileiro. 

Esse é um ano de preparativos, nós temos eleições municipais no segundo semestre, e o trabalho que é feito na seara eleitoral, a Polícia Federal se apresenta à Justiça Eleitoral como seu parceiro, como a instituição responsável pela garantia das questões de Segurança Pública.

A manutenção da ordem é garantir durante todo o processo eleitoral condições para que a eleição seja vivenciada por toda a população brasileira, então é um trabalho que não se realiza apenas propriamente ali durante o período, mas você tem os períodos de campanha. 

Nós já estamos junto com outras forças da Justiça Eleitoral, de Segurança e outros segmentos da sociedade nos preparando para estarmos todos durante todo esse processo em estado constante de avaliação de atuação para garantia das eleições da maneira mais pacífica e tranquila possível. Acho que é disso que a democracia brasileira precisa.

Leiagora- Por fim, deixo esse espaço aberto para destacar as considerações finais 

Lígia Neves Aziz Lucindo - Depois de um ano aqui em Mato Grosso, eu gostaria realmente de ressaltar o quanto a sinergia dessas instituições tem sido um fator diferencial no trabalho da Polícia Federal e através dessa integração que todos nós da segurança pública e defesa conseguimos cumprir as nossas responsabilidades.

O nosso efetivo aqui em Mato Grosso é um efetivo muito comprometido com o exercício das competências da Polícia Federal. É um efetivo que tem durante esse ano de 80 anos tem sido lembrado e  chamado a rememorar, a nossa história, os momentos de evolução e até a sensibilizar e refletir a respeito da Polícia Federal que a gente quer para os próximos 80 anos.

São muitos os desafios a sociedade está em evolução e é importante que a gente esteja sempre refletindo sobre o futuro para que a gente possa fazer com que esse futuro esteja cada vez mais presente. 

Para nós é muito importante que a sociedade mato-grossense esteja conosco nesses momentos de reflexão, um momento de amadurecimento institucional, são momentos, inclusive em que a gente tem a possibilidade de juntos construirmos a polícia que a gente quer, a evolução e garantir a evolução constante da Polícia Federal, não só aqui no estado como num país como um todo.

Me sinto muito lisonjeada por estar vivenciando esses 80 anos da Polícia Federal aqui no estado de Mato Grosso depois de 20 anos de atividades na instituição, é um momento de maturidade pessoal e ao mesmo tempo institucional. 

Maturidade que não me tira a força para pensar nos próximos 80 anos e  inclusive fazer deixar um legado e plantar sementes de tudo que a gente quer na Polícia Federal daqui para frente.
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