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23/05/2020 às 08:56

Falha de comunicação resultou na prisão de pesquisadores da covid-19

A universidade não oficializou a tempo o Estado para evitar as prisões e informar a sociedade.

Camilla Zeni

Falha de comunicação resultou na prisão de pesquisadores da covid-19

Foto: Christiano Antonucci/Secom

Falha de comunicação, falta de identificação e do uso de equipamentos de proteção necessários. Foram esses os fatores que contribuíram para a prisão de mais de 50 profissionais do Ibope Inteligência que realizavam pesquisa sobre o novo coronavírus em Mato Grosso.

A observação foi feita pelo secretário de Saúde do Estado, Gilberto Figueiredo, durante coletiva de imprensa na sexta-feira (22). Segundo o gestor, a coordenação da pesquisa, feita pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e que contou com financiamento do Ministério da Saúde, não teria oficializado o Estado a tempo.

Levantamento do Centro de Pesquisas Epidemiológicas da UFPel teria apontado que 55 pesquisadores que atuavam na primeira fase do estudo em Mato Grosso acabaram presos. A pesquisa era feita de 14 a 21 de maio e ficou inviabilizada em 4 das 5 cidades onde seria realizada. Cáceres, onde também houve prisão, teria sido a única cidade onde a pesquisa foi finalizada.

“Esse problema foi em inúmeras localidades do país, onde os operadores que estão coletando amostras e fazendo testes, em sua maioria, não são profissionais qualificados para fazer isso. Por conseguinte, uma falha enorme no encaminhamento desse trabalho e que gerou esse desconforto muito grande. Inclusive com pessoas sendo presas, atuando sem a devida proteção individual”, justificou o secretário.

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Conforme boletim de ocorrência, quando os pesquisadores foram presos em flagrante eles estavam coletando sangue para a realização de testes rápidos para a covid-19 (doença causada pelo novo coronavírus). 

Essa informação, que teve o primeiro caso registrado em Barra do Garças (510 km de Cuiabá) e resultou na prisão de 15 pessoas, acabou viralizando com informações falsas sobre o caso. A população passou a temer que as pessoas seriam cidadãos aleatórios, e que poderiam estar infectando os voluntários que se disponibilizavam a ser testados. 

De acordo com o secretário de Saúde, isso aconteceu também porque os profissionais não estavam identificados. “Hoje já é conhecido no país que é uma iniciativa da Universidade de Pelotas, em parceria com o próprio Ministério da Saúde, mas o grande problema existente foi essa falta de comunicação prévia, e que gerou esses distúrbios divulgados Brasil a fora”.

Testes inválidos?
Ainda durante a coletiva, Gilberto Figueiredo se disse curioso sobre como vai se dar o resultado dos dados coletados. Ele explicou que, como são testes rápidos e usam amostragem, as informações podem mudar em uma mesma semana. Nesse caso, os dados coletados em um dia já não tem resultado igual ao que será coletado em alguns dias.

“Estou curioso para saber o resultado desses dados e se terá resolutividade útil para implantação de medidas preventivas do que vem pela frente. Isso está sendo feito em outros Estados, mas tem pequena resolução. Podemos assegurar neste momento que não temos 3% da população infectada em Mato Grosso, mas quero crer que exista propósito com isso”, criticou. 

“Se tivéssemos sido, desde o início, comunicados, poderíamos ter ajudado mais, já que é um trabalho científico e pode ter um resultado que eu espero que seja positivo”, finalizou.

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