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Notícias / Polícia

12/08/2020 às 19:03

Conversas entre namorado de investigada e irmão sobre morte de Isabele são apagadas

A defesa do adolescente disse que as conversas com o irmão que não foram restauradas não dizem respeito à cena do crime

Eduarda Fernandes e Luzia Araújo

Conversas entre namorado de investigada e irmão sobre morte de Isabele são apagadas

Print de conversa

Foto: Reprodução

Trechos de conversas mantidas entre o adolescente de 16 anos, namorado da da investigada por ter atirado em Isabele Guimarães Ramos, e seu irmão, reforçam a tese de que o garoto não estava presente na cena do crime quando a adolescente morreu e não teria deixado a arma municiada. Porém, parte do diálogo foi apagada e não foi possível recuperar. 

Conforme o documento, o rapaz envia uma mensagem à namorada às 14h40 do dia 12 de julho, avisando que estava indo à casa dela naquele dia em que Isabele acabou morta. Ela responde “Okk”. Na sequência, às 14h43, ele pergunta: “Tá tudo no jeito já?”. Em outros depoimentos, confirma-se que o jovem chegou à casa da namorada por volta das 15h.

Depois disso, o casal não troca mais mensagens e ele só volta a falar com a filha de Cestari às 22h04, horário em que ele já teria deixado o condomínio, dizendo “Oiii amor”. Já às 22h14 o rapaz pergunta: “Aconteceu algo mesmo??? Alo” e não recebe nenhuma mensagem como resposta.

Também foram extraídas conversas do celular do irmão do rapaz, quando este foi busca-lo no condomínio na noite do crime. Aproximadamente 22h, o irmão manda mensagem de whatsapp “bora bora”. Já às 22h26, o irmão envia outra mensagem e pergunta o que aconteceu, o rapaz responde apenas: "não sei tbm”.

O irmão que o buscou então pergunta: “se deixou ela com munição? Fala a vdd”. Então o namorado da jovem diz que “tava no carregador. Mas não na câmara”.

O irmão o indaga se “acertou alguém” e ele responde: “A guria morreu. Eu não to entendendo nada”.

Na sequência do diálogo, às 00h41, o irmão pede que o rapaz faça “print” das conversas importantes para resguardá-lo, para não deixar que a culpa recaia sobre ele. Já no dia 14 de julho, às 11h41min, o namorado da filha de Cestari envia várias mensagens ao irmão e as apaga logo depois. O mesmo é feito pelo irmão. Na conversa fica apenas uma mensagem escrita às 11h45 min, em que o irmão escreve ao namorado da investigada: “Aí tomo”.

Defesa do namorado
Em contato com a defesa do adolescente, os advogados disseram que os laudos expostos indevidamente apenas atestam que o menor não estava no local dos fatos, que não havia sequer munição na câmara e que as conversas com o irmão que não foram restauradas, não dizem respeito à cena do crime, pois sequer se encontrava no local no momento do ocorrido.

A defesa informou ainda que já colocou o adolescente à disposição das autoridades policiais para esclarecer o teor das mensagens não restauradas, independentemente se são ou não pertinentes para as investigações.

Nota a PJC
Por meio de nota, a Polícia Judiciária Civil informa, por meio da Delegacia Especializada do Adolescente (DEA) e da Delegacia dos Direitos da Criança e do Adolescente de Cuiabá (Deddica), que investigam a morte de Isabele, que os celulares apreendidos foram submetidos a procedimento de extração de dados e posterior confecção de relatório de análise formalizado pela Diretoria de Inteligência, conforme quebra de sigilo telefônico determina judicialmente.

“Todas as informações foram anexadas ao conjunto probatório do inquérito que apura a morte da adolescente e está em fase de conclusão. Além da análise dos celulares, também foram reunidos no inquérito os laudos de local de crime e confronto balístico, entregues nesta semana, elaborados pela Diretoria Metropolitana de Criminalística da Perícia Oficial e Identificação Técnica do Estado (Politec)”, diz a nota enviada ao Leiagora.

A DEA e Deddica planejam realizar na próxima semana, junto com a Politec, a reprodução simulada dos fatos, exame pericial empregado para dirimir possíveis dúvidas que possam surgir após a análise de todo o conjunto de provas coletadas no inquérito, como laudos, relatórios, depoimentos, entre outros.

“O detalhamento das investigações deve ser mantido em resguardo com o objetivo de não causar prejuízo aos trabalhos desenvolvidos. A Polícia Civil de Mato Grosso reitera que está se empenhando e utilizando todos os recursos investigativos e técnicos existentes para esclarecer o crime que chocou a sociedade mato-grossense e todo o Brasil”, conclui.

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