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Notícias / Entrevista da Semana

03/03/2024 às 08:00

ENTREVISTA DA SEMANA

Em pré-campanha, Abilio diz que partidos aliados não significam apoio e aposta em força do PL

Ao Leiagora, o parlamentar fez uma análise da situação de Cuiabá, falou sobre uma possível aliança política e fez suspense sobre o nome da vice na chapa do PL

Paulo Henrique Fanaia e Marina Martins

Em pré-campanha, Abilio diz que partidos aliados não significam apoio e aposta em força do PL

Foto: Reprodução Leiagora

Ao longo dos últimos quatro anos, Abilio Brunini (PL) chegou ao Congresso Nacional, mas sempre de olho no desempenho do Palácio Alencastro. O deputado federal já foi vereador por Cuiabá e disputou as eleições municipais para prefeito em 2020. À época chegou a ir para o segundo turno contra Emanuel Pinheiro (MDB), mas perdeu a disputa.
 
Nesse período se manteve firme na oposição ao atual prefeito, continuou fazendo suas barulhentas fiscalizações - especialmente na saúde municipal - e até visitas frequentes à Câmara de Vereadores.

Leiagora conversou com o pré-candidato que, mesmo sem um arco de alianças, garantiu não ter medo de desafios. O parlamentar deposita toda a confiança no fortalecimento do PL e com Bolsonaro como o maior cabo eleitoral.
 
Durante a conversa, Abilio sustentou que não é mais aquele de antes. O foco agora, segundo ele, não é atacar os adversários, mas ‘pensar em Cuiabá acima de todos’.
 
Confira a entrevista na íntegra:
  
Leiagora - Como tem sido essa conciliação de agenda, justamente por conta da pré-campanha, que se iniciou muito cedo em Cuiabá, e também a agenda de deputado?
 
Abilio Brunini - Eu tive voto em todo o estado de Mato Grosso. Eu não posso abrir mão de apoiar as ações do estado porque eu decidi ser pré-candidato em Cuiabá. Então eu vou até o limite do tempo que eu posso atuar pelo estado como um todo, pra na hora que chegar o momento da disputa ou de preparar a disputa em Cuiabá eu focar mais em Cuiabá. Diferente dos deputados estaduais, que estão sempre aqui - as sessões deles são aqui - a nossa é na terça, quarta e quinta-feira, em Brasília. Então eu fico em Cuiabá na sexta, no sábado, no domingo e na segunda. E, pelo menos um fim de semana do mês, um ou dois fins de semana do mês, eu fico para ir pro interior, para cuidar das agendas do interior. Eu tô com o tempo bem-organizado com a agenda.
  
Leiagora - Como está a receptividade dos eleitores que votaram no senhor agora com essa pré-candidatura? O que tem sentido nas ruas?
 
Abilio Brunini - O que eu reparo é que até no interior, que poderia ter aquela provocação: “fica em Brasília e tal”, mas até no interior as pessoas entendem a necessidade de a gente ter a Capital ao nosso favor, defendendo aquilo que a gente acredita. E aqui em Cuiabá, esse apoio é indiscutível. Se o pessoal não desse apoio não iria aparecer na pesquisa em primeiro ou segundo lugar, então faz diferença. Isso se dá justamente por causa do posicionamento que a gente tem, o pessoal reconhece
 
Leiagora - Apesar dessa receptividade, o senhor está sozinho, com um grande aliado, um grande cabo eleitoral, que é o próprio Bolsonaro. Mas em relação a apoios e alianças, a gente percebe que segue ainda sozinho. Como é que estão essas conversas?
 
Abílio Brunini - Eu acho que não é assim. Em 2020 eu acho que tinha menos grupo do que tinha agora, porque em 2020 era eu, o Felipe Wellaton e só. Nosso partido era o Podemos e o Cidadania e a gente tinha 30 segundos de TV e nós estávamos com um grupo de vereadores que era eu, o Wellaton, o Dilemário e o Diego Guimarães, que eram vereadores da Câmara em dois partidos pequenos, que estavam distribuindo esse projeto. Hoje a gente tem muito mais apoio que tinha em 2020. Hoje nós temos a Amália, a Fernanda, o Medeiros, temos o apoio do senador Wellington, temos o apoio de alguns vereadores que estão com a gente, claro que está em construção, mas nós temos o PL, que é o maior partido do Brasil. Nós temos novas lideranças que estão nos apoiando, o projeto já não é um projeto tão pequenininho, já é um projeto muito mais complexo. Ele é mais técnico do que foi em 2020. Hoje a gente tem essa questão do mesmo sentimento, de que a gente tem que resgatar Cuiabá, mas ao mesmo tempo a gente está cercado de pessoas qualificadas, que possam estar nos ajudando nessa construção. Então está muito melhor do que esteve em 2020. “Ah, mas você não tem tantos partidos ao seu lado”. Entenda bem, partido não significa apoio. Se significasse, o candidato que tem mais partido teria 70% dos votos. E isso não é verdade. A verdade é que o candidato que tem mais partido caiu 5% na última pesquisa. Então a gente percebe que não é partido que resolve a situação. São as propostas, as ideias, o relacionamento com a população, a comunicação do que você quer fazer.
 
Leiagora - Como está a discussão para a vice, já que não tem esse arco com outros partidos? Vai ser uma chapa pura?
 
Abilio Brunini - A gente tem mais um partido que tá com a gente. Durante esse período nem abriu a janela partidária. Ela vai abrir dia 5 de março. E quando abrir a janela partidária, a gente vai ter a situação de que entrou candidatos a vereadores na última hora nas chapas. Então os partidos vão sentar, parar pra pensar, fazer a reavaliação e falar qual é o caminho. Então as composições elas são próximas da convenção, já lá pra junho. Não adianta sair falando que o partido tá com o fulano.
  
Leiagora - Mas já existem alguns nomes?
 
Abilio Brunini - Já, nós temos já um partido, nós estamos conversando com dois partidos. A princípio a gente falou assim: “não vou me expor”, porque quanto mais a gente expõe, aumenta o assédio.
 
Leiagora - Então é uma estratégia para não expor os nomes dos possíveis vices?
 
Abilio Brunini - Nós temos o perfil, isso eu posso falar. Eu conheci a pessoa, já tenho o perfil. É uma mulher, ela foi servidora pública e hoje ela trabalha com uma empresa dela, própria, voltada à área da saúde. Ela entende bastante desse assunto. Eu acho ela super inteligente, qualificada, nunca foi candidata a nada, mas é conhecida na cidade, as pessoas sabem quem é. Eu acho que vai contribuir bastante pra gente. Não vou fazer igual outros candidatos, que já saem falando quem é a vice, porque às vezes começa a criar conflitos antes.
 
Leiagora - E essa estratégia, a gente tem visto que é de muitos partidos e muitos pré-candidatos, de ter uma figura feminina, uma mulher como vice. Isso já está pacificado no PL?
 
Abilio Brunini - Isso é uma posição minha como pré-candidato, mas também é uma posição do PL, que quer eleger o maior número de mulheres para a Câmara Municipal, assim como a gente elegeu o maior número de mulheres para a Câmara Federal. Em Mato Grosso as duas únicas deputadas federais são do PL: a Coronel Fernanda e a Amália. Nós queremos aumentar o número da representação feminina, não por falar, mas por fazer mesmo. Hoje nós temos aí a Samantha como pré-candidata, tem a Paula como pré-candidata, com grandes chances das duas de ser vereadoras da Câmara Municipal. Queremos revelar novos talentos em Várzea Grande, por exemplo. Uma pessoa que me surpreendeu muito foi a Flávia Moretti. Ela é muito inteligente, ela seria perfeita aqui em Cuiabá, junto com a gente. Ela é formada em direito, uma boa advogada, entende de habitação, na questão estrutural de Várzea Grande.
 
Leiagora - Então necessariamente será uma mulher?

Abilio Brunini - Nós estudamos, avaliamos, conversamos com as pessoas e já decidimos que será. Aí a gente deixou o perfil em aberto, para que esse partido que vai ser aliado nosso, para ele encontrar uma pessoa semelhante. Não encontrando, a gente já tem a pré-candidata. Inclusive, eu tenho falado isso há um tempo nas entrevistas que eu dei há uns quatro ou cinco meses atrás, eu falei que tinha três pré-candidatos pelo PL. Eu falava que era eu, o Chico 2000, e tinha mais uma mulher, que ela mesma pediu para não expor, ela me pediu: “não faz isso agora, porque eu tô vendo”. É o tempo dela organizar as coisas da empresa, o tempo dela se posicionar para vir conversar isso com a gente.
  
Leiagora - E como está essa mudança de postura para essa candidatura de agora? Quais são as principais mudanças do Abilio de agora para o Abilio das últimas eleições?
 
Abilio Brunini - O Abilio de hoje vai continuar mudando até o Abilio da eleição e até o Abilio pós-eleição. É importante a gente fazer essa reavaliação o tempo todo. Isso aqui deu certo, isso não deu, preciso corrigir isso. Uma das coisas que a gente precisa corrigir é essa parte de dialogar com quem a gente é adversário, de dialogar e achar uma solução. Cuiabá está acima de nós, ela está acima do Abilio, está acima do Emanuel, está acima do Botelho, está acima do Lúdio, Cuiabá está acima de todos nós. E ela é perene, Cuiabá continua. O Abilio hoje é deputado, mas um dia poderá não ser, poderá ser prefeito, mas também poderá não ser. Cuiabá precisa de pessoas que a amam e que cuide dela para a frente. Nós tivemos pessoas no passado que tiveram essa visão de que Cuiabá era acima deles e pensaram em situações estratégicas, inteligentes pela nossa cidade, que trouxeram para ela o desenvolvimento. Hoje ela está estagnada, mas ela precisa dessa visão colaborativa de todos os políticos. Eu estou mandando recurso para Cuiabá, independente se é o Emanuel. Por exemplo, eu quero a reativação da Policlínica do Coxipó, porque ela é muito importante naquela região. E ao invés de eu só colocar isso como discurso do meu plano de governo, para quando eu ganhar, eu tô mandando um milhão de reais para ajudar a reativar a policlínica. Eu liguei pro secretário de saúde do Emanuel e falei com ele: “Eu fiscalizo, eu sou chato, eu brigo com vocês. Vou continuar brigando, vou continuar fiscalizando, só que eu quero ajudar você em algumas atividades eu tenho recursos das emendas e eu quero saber como eu posso ajudar.”

Ele falou que estamos tendo um problema com a empresa Medtrauma, inclusive eu denunciei esse escândalo lá em Brasília, e estamos parando o processo de ortopedia. Eu falei que estava mandando R$ 600 mil de emendas para fazer cirurgia de ortopedia. Eu falei para ele que gostaria que as UPAs e policlínicas tivessem um espaço mais preparado para receber as crianças: “vou te mandar R$ 600 mil para você investir nisso e a gente vai estudar qual é o melhor caminho que respeite todas as normas sanitárias, mas que também dê um ambiente um pouco mais acolhedor para o lado da pediatria.”
 
Eu falei para ele que aqui em Cuiabá nós temos um problema de pré-natal. Muitas mulheres no período de gestação elas sequer fazem dois exames de ultrassom. Então, nós estamos mandando para Cuiabá um milhão de reais em quatro equipamentos de ultrassom de alta tecnologia.
Independente do resultado dessa eleição, todos nós temos que estar alinhados com o governo do Estado. Se o Lúdio ganhar, ele tem que ter um bom relacionamento com o Governo do Estado. Se o Botelho ganhar, tem que ter um bom relacionamento. Se o Abilio ganhar, tem que ter um bom relacionamento com o Governo do Estado. E eu tenho essa visão, eu quero esse bom relacionamento com o Mauro Mendes. Porque o governo do estado e Cuiabá vivem no mesmo espaço e eles podem ajudar a mesma cidade, que é uma cidade que ajuda o estado todo. Se Cuiabá for mal, ela reflete no estado todo essa cidade indo mal. Se eu vier a ganhar a prefeitura eu vou chegar pro Botelho e vou falar pro Botelho: “ajude Cuiabá”. Não é porque nós fomos adversários políticos durante um período eleitoral que eu vou falar não quero a ajuda do fulano.
 
Leiagora - Você falou bastante de saúde. Qual vai ser a prioridade caso eleito? Porque a gente sabe que as contas também são um grande problema.
 
Abilio Brunini - O problema das contas de Cuiabá não é necessariamente a arrecadação, isso é importante a gente colocar. É uma cidade que tem R$ 4,6 bilhões de orçamento por ano. O grande problema é como usa esse dinheiro, como gasta esse dinheiro. Nós estamos vendo as secretarias sendo loteadas por partidos políticos. E quando as secretarias são ocupadas por partidos, não por cargos técnicos. Muitas vezes os partidos que não são tão bem intencionados, eles estão preocupados com contratos. E o dinheiro some na mão desses contratos, muitas vezes contratos milionários. Então é assim, a forma que o dinheiro em Cuiabá está sendo aplicado, diversos escândalos de corrupção, 19 operações da polícia, só o recurso dessas 19 operações da polícia poderia ter asfaltado Cuiabá inteira, não ia ter uma rua em Cuiabá sem asfalto. Eu fico até irritado quando vejo surgir diversas medidas de arrecadação, como os abusos lá no centro, do estacionamento. Voltou a discutir a taxa do lixo, subiu de novo o valor para vinte e poucos reais. O cara quer aumentar o IPTU, quer aumentar tudo quanto é jeito a arrecadação. Não é isso que ele precisa fazer. O que ele precisa fazer é segurar essas despesas absurdas, despesas supérfluas, valores sendo jogados em coisas que não trazem resultado.
 
Leiagora – Então vai ser basicamente a revisão desses contratos para arrumar essa gestão do dinheiro?
 
Abilio Brunini - Justamente. E desburocratizar a cidade. Você quer abrir uma empresa? Abre rapidão, a empresa libera a pessoa a investir. Quer construir? Cuiabá é uma cidade que, quanto mais construção civil tiver, quanto mais gente investindo em Cuiabá, mais vai circular dinheiro. Não precisa aumentar o imposto. Imagina um terreno sem construção. Quanto que ele vale? E o IPTU naquele terreno? Quanto que vai arrecadar naquele prédio de 20 andares de imposto? Aumentou o imposto? Não, deixou o cara investir. O cara quer investir, ele quer construir um prédio em Cuiabá, ele quer construir uma obra grande em Cuiabá, ele quer trazer investimento e a prefeitura, às vezes, é o grande entrave. Então, assim, precisamos destravar essa cidade e isso vai acabar ajudando que ela se desenvolva muito mais.
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