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Notícias / Entrevista da Semana

24/01/2021 às 08:13

Três mil pessoas estão em tratamento da hanseníase em MT

Campanha alerta para o diagnóstico precoce para doença de pele milenar

Luzia Araújo

Três mil pessoas estão em tratamento da hanseníase em MT

Foto: Arquivo Pessoal

A hanseníase é uma das doenças mais antigas da humanidade, chegando a aparecer em alguns capítulos da bíblia, ainda quando era conhecida como lepra, mas, mesmo com o passar do tempo, a doença continua sendo um problema de saúde pública até hoje. O Brasil ocupa o segundo lugar mundial em número de casos da doença, perdendo apenas para a Índia.
 
De acordo com dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), Mato Grosso tem um total de 3.001 pacientes que estão em tratamento de hanseníase na rede pública de Saúde, único sistema responsável pela cura da doença, porém para alcança-la é importante o diagnóstico precoce. Por isso, foi lançada a campanha Janeiro Roxo para conscientizar a população sobre os sinais da hanseníase e a importância do tratamento precoce. O Portal Leiagora entrevistou o dermatologista Igor Bottura que falou sobre o tema. 

Leiagora – O que é a hanseníase e o que pode causar a doença?

Igor Bottura – A hanseníase é uma doença infectocontagiosa causada por uma bactéria. Ela é uma doença tropical, muito prevalente no Brasil e, principalmente, na região Centro-Oeste. A hanseníase é adquirida a partir do contágio com outra pessoa que está contaminada e, no corpo, a bactéria causa manifestações tanto na pele, quanto também no sistema nervoso periféricos, que podem causar sequelas e deformidades, se não tratada a tempo. Ela existe há muito tempo, chegando a aparecer em até em alguns capítulos da Bíblia, quando citam que Jesus curou leprosos e persiste até hoje. A campanha do Janeiro Roxo foi criada para combatê-la e ajudar a população a identificar os principais sinais dela, visando o diagnóstico precoce. 

Leiagora – Hanseníase pode matar? Quais são as sequelas da doença? 

Igor Bottura
– É muito raro os pacientes morrem de hanseníase. Ela é uma doença que não tem muito risco de mortalidade, mas gera muita incapacidade física. Por exemplo, deformidade das mãos, pés e até pode ocasionar a cegueira, porque a bactéria quando entra em contato com o corpo humano, ela vai em direção a pele. Os pacientes começam a apresentar manchas no corpo, lesões que geralmente não tem sensibilidade. Ele não sente calor e dor no local e com o passar do tempo, se não tratada, a bactéria saí da pele e começa a expandir pelos nervos, momento no qual começa a destruir as terminações nervosas das mãos e pés, causando deformidades e quando atinge a região dos olhos pode ocasionar a cegueira. Então, são esses tipos de sequelas que são mais preocupantes, porque o paciente passa a ser inválido e sem contar com o preconceito. 

Leiagora – Em caso de suspeita, qual profissional procurar e onde ir para começar o tratamento?

Igor Bottura –
Quando um cidadão tem a suspeita que está com a hanseníase, ele deve procurar uma unidade básica de saúde. Geralmente, o especialista que é capaz de conhecer a doença e dar o diagnóstico mais preciso é o dermatologista, mas o infectologista e um médico da família também são capazes de diagnosticar a doença. Hoje em dia, existem muitos cursos com profissionais da saúde que são capazes de conhecerem os sinais da hanseníase, diagnostica-la e já indicar um tratamento, que é feito na rede básica de saúde, unicamente pelo Sistema Único de Saúde (Sus). A hanseníase é uma doença na qual o Governo Federal tem a responsabilidade no tratamento.
 
Leiagora - Qual a importância do diagnóstico precoce?

Igor Bottura –
A importância do diagnóstico precoce é para evitar deformidades. Quando o paciente recebe o diagnóstico de hanseníase, é importante dizer que ela é uma doença que tem cura, que o tratamento pode demorar alguns meses e que varia dependendo da forma clínica e da idade do paciente. Quando o tratamento termina, o paciente está curado. Buscamos orientar sempre a população, para reconhecer os sinais de suspeita da hanseníase para iniciar o tratamento o mais rápido possível, prevenindo justamente as deformidades. 

Leiagora – Existe forma de prevenção?

Igor Bottura –
Não existem meios eficazes de se prevenir a hanseníase. Existem medidas coletivas que ajudam a prevenção de diversas doenças, entre elas a hanseníase. Por exemplo, conviver em ambiente arejado e evitar aglomerações. Enfim, as melhorias das condições sanitárias ajudariam prevenir a hanseníase, mas não é uma medida específica para ela. Sabemos que outros países conseguiram elimina-la porque além de tratar, eles conseguiram melhorar as condições sanitárias. Mas, prevenção específica não existe. 

Leiagora – Ainda existe preconceito em relação a doença na sociedade? 

Igor Bottura –
Hoje em dia muitas pessoas têm receio quando se fala em hanseníase e muito preconceito com a pessoa que teve a doença, achando que ela vai passar e, na verdade, não é bem assim. O paciente com hanseníase, quando começa a fazer o tratamento, deixa de ser transmissor. A doença é transmissível através das gotículas e dificilmente se pega pelo toque. A hanseníase é transmissível por via aérea e quando se convive um tempo prolongado com o contaminado. Então, tocar em uma pessoa que teve hanseníase, não significa que vai ter a doença.  

 

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