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Notícias / Entrevista da Semana

03/12/2023 às 08:00

ENTREVISTA DA SEMANA

Presidente eleito da CDL fala sobre recuperação econômica pós-pandemia e vantagens do estacionamento rotativo

Junior Macagnam foi eleito presidente da CDL Cuiabá para o triênio 2024/2026 e assumirá o cargo no próximo ano

Luíza Vieira

Presidente eleito da CDL fala sobre recuperação econômica pós-pandemia e vantagens do estacionamento rotativo

Foto: Montagem / Leiagora

Presidente eleito para o próximo triênio (2024/2026) à frente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL-Cuiabá), Junior Macagnam afirma que o comércio da Capital já superou os impactos gerados pela pandemia de covid-19, além de apostar que os setores de vestuário e calçados tenham um crescimento de 20% nas vendas de fim de ano, se comparado ao mesmo período do ano passado.

Além das expectativas para sua nova gestão, agora como presidente, o empresário também destacou uma novidade para o comércio cuiabano neste ano, o estacionamento rotativo, que de acordo com ele se tratava de uma reivindicação antiga dos lojistas. Para ele, a medida se trata de uma oportunidade de favorecer a economia e quem sabe possa ser o pontapé inicial para um resgate do Centro Histórico.

Junior também detalhou o posicionamento da CDL quanto ao polêmico texto da Reforma Tributária que tem gerado vários debates tanto na Câmara Federal e no Senado, como também em Mato Grosso, diante dos impactos das novas medidas para o estado. O presidente eleito concorda com a necessidade de que tarifas tributárias sejam mais simplificadas, mas alerta que as alíquotas cobradas precisam ser especificadas o quanto antes.

Confira a entrevista completa:

Leiagora - Já é possível afirmar que a economia local se recuperou do período pandêmico?
 

Junior Macagnam - Eu acredito que sim. O próprio Mato Grosso por ser um estado agropecuário, agrícola, e durante a pandemia esse setor econômico continuou funcionando, ele não foi tão afetado quanto os outros estados. Nós do comércio sentimos bastante, porque durante o período da pandemia nós ficamos aí praticamente em períodos alternados, mas somando tudo, quatro meses fechados, né? E mesmo assim, na volta, com várias restrições. Então, se você somar aí, vamos colocar que a gente perdeu em torno de seis meses de faturamento. 

Logicamente ainda estamos pagando os programas da vida, as negociações que foram feitas no pós-pandemia, mas os níveis de faturamento estão voltando ao normal. A gente já pode dizer que nesse aspecto de faturamento, a gente já está normalizado.

Agora é botando a casa em ordem, praticamente terminando aí os empréstimos que foram feitos naquela época e seguir em frente. Inclusive, a gente vê investimentos no Estado, a gente vê a abertura de novos restaurantes, de novas lojas. O comércio no Estado está bastante pujante nesse momento.

Leiagora - Então a gente pode afirmar que o número de vendas já voltou a crescer no ritmo pré-pandemia? 


Junior Macagnam - A gente hoje já está no ritmo pré-pandemia, sim, com certeza. Mato Grosso é um estado privilegiado. O emprego hoje no Brasil está em torno de 7,8%. Aqui no Mato Grosso a gente registra emprego de 3,4%. Diversos empresários querendo contratar, diversas empresas querendo contratar, e a gente vive essa dificuldade de conseguir mão de obra.

Como a maioria da população está empregada e uma parcela recebendo auxílio, inclusive, não é que estejamos contra o auxílio, mas a gente acha que ele deveria ser por tempos limitados e essas pessoas deveriam ser incentivadas a voltar ao mercado de trabalho de alguma forma. Então, assim, a renda da população, ela cresce, crescendo renda consequentemente, há mais consumo. 

Leiagora - Quais as expectativas para as vendas neste fim de ano aqui em Cuiabá? Isso é quanto se comparar a 2022?


Junior Macagnam - Em relação ao ano passado, o ano passado foi um ano de Copa do Mundo, o Brasil foi eliminado no dia 9 de dezembro, então algumas lojas, principalmente nessa parte ‘mole’, vestido, calçados, confecções, elas estavam fechadas durante os jogos, isso acabou atrapalhando o faturamento, então principalmente nesse setor a gente acredita que haverá um crescimento em torno de 20% em relação ao ano de 2022. Justamente porque, no período de Copa, as lojas estavam fechadas e a população, logicamente, direcionou o seu consumo para outros setores, como o mercado, bar, restaurante.

O comércio é muito dinâmico, se um setor deixa de faturar é muito provável que outros setores estejam faturando. No setor de calçados e confecções, perfumaria, ótica, setor basicamente de shopping center, de comércio de centro, a gente acredita que nós vamos ter uma expansão nesse dezembro.
 
Leiagora - Shopping, mercado digital e uma série de outros fatores afastam a população de comprarem no centro da cidade. Quais incentivos têm sido pensados para atrair o consumidor, principalmente nessa época?


Junior Macagnam - Na CDL a gente está com a campanha Natal Premiado, onde serão sorteados quatro carros, quatro motos, quatro caminhões de prêmios, 80 prêmios de mil reais em compra. Então essa é uma grande campanha de incentivos, inclusive não impede as lojas de só do centro de participar. 

Há também uma boa notícia em relação ao centro, que é o estabelecimento do estacionamento rotativo, que é uma reivindicação bastante antiga dos lojistas. Isso vai fazer com que haja uma maior circulação de pessoas. Então assim, e aí também cabe a cada empresário, cada lojista preparar sua equipe, decorar sua loja, organizar os seus estoques de maneira a atender seus consumidores. Então, assim, pro Natal e pro ano novo nós estamos bastante otimistas. 

Leiagora - Como os comerciantes têm analisado essa questão do estacionamento rotativo?


Junior Macagnam - Essa é uma reivindicação bastante antiga da CDL Cuiabá, que vem se concretizar agora de uma forma digital, ou seja, em que a pessoa vai poder parar de meia hora a 4 horas no máximo, então isso aí vai fazer com que haja rotatividade nas vagas. Havendo rotatividade, nós vamos conseguir atrair mais pessoas, não só para o centro, como para Carmindo de Campos, como para a Avenida do CPA. A princípio terão 3 mil vagas, ou seja, circulando pessoas, circulando dinheiro, circulando dinheiro, a gente consegue fazer bons negócios.

Leiagora - Então a reivindicação era porque muitas pessoas estacionavam ali na região central de Cuiabá e aí ficava o carro parado o dia todo e não tinha essa rotatividade?


Junior Macagnam - A falta de rotatividade faz com que o consumidor não encontre vaga. Não encontrando vaga ele acaba indo para um lugar mais fácil. Mas é uma boa notícia saber que a partir de agora nós teremos esse estacionamento rotativo e que vai acabar organizando esse setor no centro de trabalho e nas demais avenidas. 

Eu acho que criando vaga, as pessoas vão ter oportunidade de ir ao centro. Muitas vezes deixam de ir ao centro, acabam não fazendo compras, justamente por essa dificuldade. Tendo vagas, fica muito mais fácil as pessoas irem até os locais, fazerem suas compras. Eu acredito também que para os estacionamentos no centro, o estacionamento rotativo vai acabar favorecendo porque aquela pessoa que parava o carro durante o dia inteiro na rua, hoje ela vai acabar virando mensalista do estacionamento.

Então, eu acredito que vai ter um ganha-ganha. Todo mundo vai ganhar. A população vai ganhar por encontrar a vaga, o comerciante vai ganhar porque a população vai até o centro fazer suas compras e o estacionamento vai ganhar porque ele vai ter uma nova clientela de mensalista. Então assim, é muito bem-vindo essa atitude do estacionamento rotativo. 

Leiagora - A empresa que vai ser responsável por esse estacionamento, ela também vai fazer investimentos em Cuiabá, quais seriam eles? 


Junior Macagnam - Eles vão construir ali onde era o dito mercado do centro, vai ser uma construção nova, ou seja, nós teremos um novo espaço de lazer. Com esse estacionamento rotativo, com a volta das pessoas ao centro, quem sabe a gente consiga resgatar esse centro histórico. Resgatando o centro histórico, a gente pode atrair turistas.

A gente não pode esquecer que o turismo representa 10% do PIB global e de todas as pessoas que visitam cidades elas sempre gostam de visitar o centro histórico. E hoje, infelizmente, o nosso centro histórico está deixando muito a desejar. Quem sabe, com o estacionamento rotativo, a gente comece um processo de revitalização e isso faça com que a gente também consiga atrair mais turistas, pessoas de fora da cidade, para aquela região.

Leiagora - Mudando um pouquinho de assunto, nós temos visto muitos debates em relação ao texto da Reforma Tributária. Como a CDL tem acompanhado essas questões debatidas e o que espera dessa nova mudança na legislação?


Junior Macagnam - A CDL sempre foi favorável a uma reforma tributária que trouxesse simplificação para os processos. Hoje as empresas perdem muito tempo e perdem muitos recursos organizando as legislações, a sua questão tributária. Então o que nós precisamos é de uma legislação que se simplifique. E realmente a reforma tributária traz essa parte de simplificação, está bem colocada essa parte de simplificação.

Porém, o que a gente entende é que em nenhum momento as alíquotas foram esclarecidas. Então, o que a gente sentiu no Senado é que ampliaram também bastante as exceções. E assim, toda vez que tiver exceções, alguém vai pagar a conta. E a gente tem que, esse que vai pagar a conta, a gente já sabe que infelizmente os serviços que terá aumento brutal, que a gente é contra aumento de impostos, sempre seremos contra aumento de impostos. Enquanto a gente não souber qual será a alíquota, é difícil até dar um posicionamento, mas a princípio, pela simplificação, nós somos favoráveis.

O que nós precisamos saber é a alíquota, o que nós somos contra é aumento de impostos, porque quem acaba sempre penalizado quando temos aumento de impostos são os consumidores, porque esses impostos são repassados para os preços e acaba, no primeiro momento, o consumidor sendo prejudicado, mas no segundo momento a própria economia, porque assim, menos dinheiro no bolso do consumidor, menos consumo, menos consumo, menos venda, menos venda é menos produção, menos emprego. Então, é o momento do Brasil entrar no círculo virtuoso. E essa alíquota que ainda não foi definida, ela será muito importante para que a gente saiba como é que vai ser essa reforma tributária.

Leiagora - Eleito o presidente da CDL para o triênio 2024/2026, o que esperar de sua nova gestão?


Junior Macagnam - Então, na parte política institucional é sempre contra o aumento de impostos, sempre contra o aumento de carga tributária. Na parte comercial é ajudar os lojistas a fazerem bons negócios, consigam gerir melhor seus negócios e consigam ter progresso, né? Na realidade a gente quer que as pessoas progridam, então assim, a CDL vai estar lá oferecendo serviços para os lojistas, para as pessoas que prestam serviço, buscando justamente isso, fazer com que elas tenham sucesso nos seus negócios. A CDL vai estar sempre colaborando com isso. 
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